Aventura natalina

Realmente eu preciso dividir com vocês essa "grande aventura": Quem é que, gozando plenamente de suas faculdades mentais, resolve mudar de residência praticamente às vésperas do natal? Pois foi isso que aconteceu em nossas vidas (minha e do meu marido).

Há exatos oito anos, nos mudamos para uma casa de propriedade de um amigo. Em troca de benfeitorias que se fizessem necessárias, ficou combinado que pagaríamos um aluguel simbólico e futuramente poderíamos até comprá-la se houvesse interesse e acordo de ambas as partes. A casa era ótima, grande e atendia nossas necessidades perfeitamente.

Na época, nossas duas filhas eram solteiras, cada uma com seu quarto (suíte), então foi ótimo, pois cada uma teria seu cantinho. Vocês sabem como são irmãs (os) no mesmo quarto não é? Normalmente se adoram, mas de repente é uma "zorra total". Ainda mais sendo duas mocinhas juntando sapatos, roupas, brinquinhos, pulseirinhas, etc.

Como a casa era grande, resolvemos renovar alguns móveis, eletrodomésticos, etc. Já notaram que dificilmente o que temos em uma casa serve para outra? Queremos tentar aproveitar muitas coisas, a fim de economizar, mas na maioria das vezes quase nada se encaixa.

Foi “um tal” de sobrar coisas, mas como havia espaço até demais acabamos levando o que tínhamos da antiga moradia e juntamos com os "novos apetrechos". Vai que de repente a gente precisa…

Em 2010 uma filha casou e por acaso nosso amigo resolveu que gostaria de vender a casa. A outra filha estava noiva e pensando em casar (o que aconteceu em novembro de 2011). Foi um Deus nos acuda. Apesar de insistir para que a comprássemos, não havia interesse mais de nossa parte. O que iríamos fazer só eu e meu marido em uma casa tão grande? Esperar netos para aproveitá-la? Nem pensar. O ideal era ir para um lugar menor, só que não pensávamos em mudar tão rápido, mas ao mesmo tempo não queríamos criar problemas com nosso amigo, mesmo sem sermos pressionados para sair "às carreiras".

Daí começou a grande "epopéia": corremos de lá para cá procurando algo que nos agradasse e que estivesse dentro de nossas condições financeiras para comprar de vez um canto nosso.

Como diz o famoso repórter esportivo Silvio Luiz "Pelo amor dos meus filhinhos".

Já estávamos quase alugando de novo, quando apareceu a oportunidade de comprar um apartamento que satisfazia nossas necessidades. Isso foi em outubro de 2011. Até pegarmos a chave, era 17/11 e tínhamos acabado de fazer a mudança da nossa filha.

Já deu pra sentirem o que aconteceu? Móveis de lá que não cabiam aqui; os "apetrechos" antigos que nunca serviram para nada e acabaram sendo doados, com pouquíssimas exceções; a pintura planejada para o apartamento era só dos quarto (foi pintado inteiro) e mal o pintor terminou apareceu um vazamento em um banheiro e conserta e deixa secar e passa o gesso e repinta, ufa! Lei de Murphy, quanto mais pressa, mais demora.

Natal chegando e a casa não esvaziava de tanta "tralha". Tempo para curtir uns presentinhos, nem em sonho. Era “um tal” de organizar e reorganizar o apartamento e esperar as pessoas na casa para retirarem as doações (todas para pessoas que conhecíamos e se beneficiaram com isso).

Dia 25 houve uma trégua. Acordei e fui direto para o banheiro tentar "colocar um pouco de ordem em mim, pois estava tudo fora de "esquadro": cabelo, unha, coisinhas que as mulheres gostam de dar um jeitinho sempre para se sentirem bem, certo? Graças a Deus conseguimos passar um dia muito feliz em família e renovar as energias. Dois dias depois, ainda com muitas caixas para abrir, separei roupas de praia e nos mandamos todos para descansar um pouco.

Estamos de volta e nos sentindo muito bem com a renovação. Chegando aqui já acabamos doando muito mais coisas. A mudança é cansativa, mas nos ensina o quanto ficamos acumulando inutilidades (nem todos, claro) e no nosso caso o espaço anterior fazia com que não nos preocupássemos, pois cabia tudo e a gente acaba se acomodando.

Esse ano completo 60 anos e como hoje nos mantemos mais em forma eu digo que ao invés do tal dito popular "A vida começa aos 40", a minha se Deus quiser vai começar aos 60. Mesmo a "carcaça" não sendo a mesma, a cabeça está ótima e isso é o que interessa.

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