Avenida São João e a Ponte do Açú

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em 1725, foi o embrião da Avenida São João. Portanto, em meados de setecentos, a futura avenida já se delineava até as proximidades da Avenida Ipiranga.<br><br>A aquarela de Debret, de 1822, destaca o cenário da Ponte do Açu (como era conhecida a ponte sobre o Anhangabaú), agora de pedras do então "caminho" de São João Batista, nome escolhido para reverenciar o protetor das águas, que por várias vezes havia levado aquela ponte pelas enchentes no vale.<br><br>Em 1827, o Pintor holandês Charles Landseer, elaborou desenho do lado oposto que Debret havia desenhado, onde descreve as duas Igrejas, a de Nossa Senhora do Rosário, no alto do "caminho" no largo do Rosário, e à esquerda do então povoado, a Igreja de São Bento, nesse cenário em que a ponte do Açú fazia parte desse cenário.<br><br>Como era grande o número de pessoas que se dirigiam àquele templo, a Câmara Municipal de então decidiu abrir uma rua, desde a Ponte do Açú até à Rua São Bento e que ficou conhecida como a Ladeira do Açú. São registros pitorescos da então Rua São João.<br><br>Uma planta de 1810 mostra os detalhes de uma data de terras (porção ou faixa de terras) que dois colonos, Henrique de Cunha Gago e Cristovão da Cunha, haviam solicitado, onde a então Rua São João começava a se delinear, do Largo do Rosário, atual praça Antonio Prado e terminava na antiga Rua Maria Thereza, futura Duque de Caxias.<br><br>Agora não mais necessários as aquarelas de Debret e do pintor holandês, Charles Landseer, pois a fotografia, em 1860, chegara ao Brasil e em 1862, cf. foto do acervo de Gilberto Calixto Rio, SP Jan.2010, nos mostram a "Ladeira de São João", cheia de beleza e esplendor.<br><br>A partir de 1911, ela já começava a ser alargada. Em 1920, seu término já atingia no cruzamento com a Alameda Glete, duas quadras à frente.<br><br>Tentamos montar a sequência de fatos para mostrar, aqui no site SPMC, se publicada uma história onde se pretende ilustrar esse importante marco da cidade de São Paulo, à Avenida São João, onde a avenida, em 1940, começou a ser alargada, casas desapropriadas e de onde hoje atinge os seus 2.200 m de percurso.<br><br>Em 1967, os bondes deixaram de circular por ali e em toda a cidade. Consulte o acervo e veja foto de dois bondes movidos à eletricidade, com destinos ao Bom Retiro e ao bairro do Paraíso. Foto de 1902. Vale a pena ver.<br><br>Em 1970, a última sua modificação, a construção do elevado Costa e Silva, o popular "Minhocão sobre suas quadras finais.<br><br>História escrita com base numa mensagem sobre a Avenida São João que um amigo aqui do grupo, Laer Passarini, me encaminhou generosamente. Sem contar que a citada mensagem tem como fundo musical a música Ronda, de Paulo Vanzolini na interpretação da cantora Márcia.<br><br>O motivo: "Um povo sem memória é um povo sem passado e sem futuro” (autor desconhecido).<br><br>Pretendia expor nesse texto uma história da Avenida São João, a partir do início de sua extensão, ou seja, do Largo do Rosário e a Ponte do Açú, nome que talvez soe estranho, mas faz parte da memória e da história de São Paulo.<br><br>E-mail: [email protected]