Hoje vejo como o tempo realmente voa. Já passei dos cinquenta, moro longe de onde passei minha infância e morro de saudades… É uma vontade imensa de poder voltar.
Fecho os olhos por uns instantes e como num passe de mágica, me vejo menino novamente. No Brooklin, posso sentir o cheiro de infância e rever pessoas que já nos deixaram.
Pouco a pouco, vou reconstruindo a fotografia. Estou no quarteirão entre a Gabriel de Lara e a Godoy Colaço, só que na Avenida Morumbi. Vejo na esquina a panificadora África. Dentro estão seu Manoel e seu Henrique; ao lado está a avícola do seu Armando, que depois virou a lanchonete Corujão, que tem por vizinho a Droga Lucia do Sr. Nelson, um Japonês, e sua esposa dona Lucia que quantas vezes foram nos atender em casa.
Outros tempos… Sr. Nelson, todos os Natais, ia em casa deixar uma lembrancinha para meus pais. Depois a seu lado construíram uma área grande que foi um supermercado, acho que bazar. Existiam algumas residências que hoje são pontos comerciais e na esquina o Bar do Xaxá, onde muita gente do bairro frequentava, pescadores, caçadores e mentirosos…
Um pouco à frente, neste mesmo lado da calçada, existia o bazar da dona Alda, a Eletrônica do Murilo (que ainda existe), a Pizzaria Esperanza (que era simples, mas tinha a melhor pizza e pão recheado do Bairro); existia uma loja que depois virou o salão da Gesy e o Bar do Paulinho.
Do outro lado tinha a Balila, o laboratório farmacêutico, uma lanchonete e consultório do Dr. Luiz. O famoso Dinhos Place era uma churrascaria numa casa de madeira em frente à praça.
Ainda deste lado, existiu uma discoteca, um açougue, uma quitanda e um bar. Tudo o que se precisava pertinho.
Eram pessoas honestas, trabalhadoras e bondosas que nunca saíram de minha cabeça. Posso sentir o gosto das bombas de chocolate da padaria, o hambúrguer do Corujão, as vitaminas do Xaxa, e a pizza de sonho da Esperanza.
Fomos tão felizes… Restou saudade e uma vontade imensa de poder voltar. Agradeço a Deus por ter me permitido viver neste pedacinho do paraíso.