Meus amigos e amigas. É com prazer que volto a este espaço, para contar uma nova (antiga) história a vocês. Uma verdadeira epopéia ou será odisséia (?). Deixo o julgamento a critério de vocês. Essa história aconteceu nos anos 1966/7. Como já comentei anteriormente, joguei futebol na Várzea de Sampa durante muitos anos, tendo sido comparado, muitas vezes, como o jogador Chicão, ex-volante do SPFC, já falecido.
Pois muito bem. Em fins de março de 1966, meu amigo José Roberto Carlomagno me convidou para fazer testes em um clube chamado Associação Rocinhense de Futebol – O Galo da Rocinha, que na ocasião formava uma equipe, para disputar o campeonato de futebol da 3a.divisão, promovido pela Federação Paulista de Futebol.
Fiz alguns treinos e fui contratado para atuar como médio volante.
Carlomagno também assinou contrato para atuar como ponta esquerda. Muito habilidoso, tinha um forte chute com a perna esquerda, lembrando o extrema esquerda do Santos F.C., o conhecido Pelé. Montada a equipe, disputamos alguns amistosos como preparação e em junho/66 iniciamos nossa campanha, que foi memorável.
Nosso plantel, se é que posso chamar assim, era pequeno, composto de dois goleiros e mais treze jogadores. Sem recursos financeiros, nos reuníamos somente aos domingos para os jogos. Não treinávamos. Cada jogador tinha sua profissão e seu emprego. Cabe ressalvar que o campeonato desse ano tinha 78 equipes, e foi dividido em três fases, tendo iniciado em l966 e terminado em 1967.
Os jogos começavam às 15h00, geralmente sob um calor de 35/38% a sombra. Nossa equipe, muito unida, jamais, durante as três fases, perdeu um jogo em nosso campo. Fomos campeões em duas etapas, jogando em dois turnos contra equipes como Osasquense, São José de Cerquilho, União A. Barbarense, Comercial de Tietê, Ferroviário de Itu (atual Ituano), Cachoeiro F.C de Cachoeira Paulista, Guarani de Adamantina, entre outras.
A torcida, que a princípio não acreditava em nosso potencial, passou a nos prestigiar. Em nosso time tínhamos outros ótimos jogadores, como o centroavante Zechin, o meia Carlinhos, que posteriormente foi jogar na Ponte Preta de Campinas, sob o comando do técnico Cilinho, o extrema direita Wagner, os laterais Zezinho e Ayrton e o grande goleiro Ladi.
Nossos maiores problemas eram causados, principalmente, pelos dirigentes do clube, homens de pouca visão, que criavam muitas dificuldades, na locomoção da equipe para outras cidades, muitas vezes distantes até 400 km. de nossa sede. Hospedávamos-nos, em certas ocasiões, em hotéis de baixo nível, sem nenhum conforto. Éramos prejudicados por arbitragens capciosas.
Recordo-me que na 3ª. fase tivemos que jogar uma partida muito importante na cidade de Araraquara, no campo da Ferroviária (morada do sol), à noite, durante a semana, em substituição a um jogo cancelado em nosso campo. Nesse jogo cancelado, estávamos sendo derrotados por dois x um, porém com enormes chances de empatar e até vencer. O time adversário, Ferroviário de Araçatuba era excelente. Formado por atletas emprestados pelo E.C. Corinthians Paulista, treinava em regime profissional, ao contrário de nossa equipe.
Aos 10 minutos do 2º. tempo, o portão que dava acesso ao nosso campo, foi aberto por nosso diretor de futebol, totalmente embriagado e com muita raiva da arbitragem. Nossa torcida invadiu o campo, para agredir o arbitro, realmente muito venal naquele jogo, que vinha nos prejudicando continuamente. Esse jogo foi então suspenso por falta de segurança e posteriormente anulado pela Federação, tendo sido remarcado para a cidade de Araraquara.
Na nova data, uma 5ª. feira, à noite, chegamos em cima da hora, e jogamos com um time totalmente improvisado, pela falta de alguns jogadores. Fomos derrotados e esses pontos perdidos fizeram muita falta na decisão final. Porém a tudo superamos e nos tornamos vice-campeões de 1966/67. Em 16 de maio de 2009, a Rocinhense comemorou seu centenário, e nós, jogadores remanescentes daquela fantástica jornada, recebemos por parte da diretoria, presidida pelo senhor José Carlos de Lima, uma justa homenagem.
Registrada no livro "O Galo de Rocinha", escrito pelo nosso amigo e ex-jogador Zechin. Aproveito para agradecer esse reconhecimento, pois foi para mim, e acredito, para meus companheiros, uma alegria emocionante ter recebido esse presente tão especial e de ter participado dessa "epopéia/odisséia no futebol".
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