As ruas: brigas no trânsito

Cena extremamente comum em São Paulo. Foi assim: Eu ia tranquilamente, a 50 Km/h, dirigindo meu carro pela esquerda da via. Ao lado, meu filho e, à minha frente, outro carro ia devagar quase parando; estercei para a direita e entrei. Ao entrar, por pouco não jogo no chão um motoqueiro. Não joguei, ele não caiu. Buzinou estridentemente e saiu esbravejando, olhando para trás, ameaçando.
 
Em um repente, esbravejei também. Tudo morreu aí. Não houve briga, meio que temendo um ao outro (sempre nos passa pela cabeça a ideia de que um dos dois pode estar armado, não é?), paramos em um farol, lado a lado, mas ficamos como se nada tivesse acontecido. Foi bem melhor assim!
 
Acabou meu dia! Deixei o garoto na escola e pensei nesse incidente o dia todo, afinal, eu não deveria ter revidado aos xingamentos do motoqueiro. Não é justo mostrar “esse pai” agressivo, truculento – que na realidade não sou – ao meu filho. Ele e eu não merecemos!
 
Porém, depois do almoço, na região onde trabalho (região do Ipiranga), conversando com uma colega de trabalho, contei o que se passou e esta, ao ver meu ânimo tão para baixo, comentou “fica assim não, recentemente eu, meu marido e nossa filha voltávamos de uma festa. Fomos fechados por um motoqueiro, meu marido, assumindo uma culpa que não era dele, pediu desculpas para evitar brigas; o motoqueiro, sentindo – ou imaginando – que estávamos com medo, cresceu. Encostou a moto, veio até nosso carro apavorando e saiu chutando nossa porta. E minha amiga concluiu – vamos ao estacionamento que eu te mostro as marcas”.
 
Aí está. Não é racional brigar, ainda mais por motivos tão fúteis, mas alguma coisa vai mal com as pessoas hoje em dia. O revide é um risco; a anuência é outro.