Nos anos 1940-1950 não era muito comum mulher trabalhar. Mulher tinha mais era cuidar da casa, casar, ser a rainha do lar ter filhos e cuidar deles. Más aos poucos a mulher foi entrando no mercado de trabalho. Minha irmã foi trabalhar na Kopenhagem (fabrica de chocolates) Rua Jaquim Floriano Itaim Bibi, em 1948, ela tinha 14 anos, e lá se aposentou em 1978, apos 30 anos de trabalho ininterruptos. E, a cada saída das moças era um verdadeiro setor de turismo dos homens sempre a procura de uma possível moça bonita para namorar. (aliás, minha irmã, tinha o apelido de bonitinha). Havia também muitas pilherias por parte de engraçadinhos. Ao tocar a sirene de saída era uma tremenda correria, que chamavam de estouro da boiada. Alguns mais ousados diziam das "vacas". Eu não gostava muito de ir lá fazer tal "turismo" por causa da minha irmã, sabe né, qualquer mancada… Mas bom mesmo era à saída da tecelagem Calfat, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, perto da rua dos bombeiros. Na Calfat tinha dois turnos, eu ia sempre à saída das 22 horas. Só que lá imperava a ignorância dos rapazes do local. Ali era território deles, qualquer estranho eles ignoravam. E a coisa era na base da porrada. Já tinha me dado mal uma vês quando fui lá catar um balão, quando o bicho desceu, eu fui mais ágil peguei na coca daquele caixa de 16 folhas, mas eles rasgaram todo, e puseram à culpa em mim. Só não apanhei porque o Chicuta, que anteriormente, morava nos fundos da minha casa, gritou que eu era amigo dele. Mas na noite que eu estava esperando uma moça que trabalhava na Calfat, a coisa foi diferente. Aquele dia não tinha Chicuta para me proteger. Ia apanhar mesmo. Cercado por cinco "valentes" estava vendo um jeito de escapar, não estava vislumbrando uma brecha. Foi quando um negro alto que mais parecia o xerife do pedaço viu-me encurralado, perguntou: O que está acontecendo? Disse que estava apenas esperando uma moça que trabalha na tecelagem e eles estão dizendo que sapo de fora, aqui não chia. O cidadão então me perguntou quem tinha começado a ameaça. Apontei um cara meio gordo que me parecia sem muita mobilidade. O chefão do pedaço afastou os outros e disse ao gordo: Agora você vai brigar com ele sozinho no mano a mano. Para minha sorte ele refugou. Caso ele fosse pro pau, eu jamais iria até assistir um jogo de basquete o Box no ginásio do Ibirapuera. Ali não era fácil. Más depois daquele episodio fiquei com franquia no pedaço. Até na porta da tecelagem, e saindo de lá com a mão no ombro da Stella, a minha musa da Calfat. Logo depois fui jogar no, Esplanada do Jardim Paulista, cujo campo era ali mesmo, entre a Brigadeiro e Rua Manoel de Nóbrega. Nada como um bom padrinho inesperado.