Tenebroso viúvo, inconsolado príncipe da noite, em triste rebeldia é sumida a tua estrela, e há na tua sumida constelação o escuro da solidão. Procura então, em vão, por este mundo afora, na noite tumular em que há te consolado os dias felizes passados com as moças de outrora que um dia conheces-te e que te fizeram feliz e que hoje, aqui, jamais voltarão! <br><br>Nesta noite serena, descerras as vigias da alma e diriges aos lugares que um dia ouviram os seus prantos, os encantos dos cantos, as ruas, as praças, os parques, aves que lá cantavam dentre as brisas perfumadas ao sabor do zéfiro brando, hoje algemado às grilhetas da solidão e das saudades vai contrito relembrando pelos caminhos idos onde o hábito sempre te guiou.<br><br>Diz então, oh! Solitário poeta, como tudo mudou. Em tempos passados, em pranto sufocado, procuras agora em vão tais encantos das lindas moças que tu conheces-te nos tempos distantes de outrora. Como hoje, o céu era puro, a terra também era bela, ah! Saudades, em que lugar, cidade, país ou estado estarão morando as tuas moças de outrora?<br><br>Gentil, carinhosa, sonhadora Vera! Estava sempre ao seu lado sorrindo, batendo palmas alegre, na formosa mocidade dos seus 17 anos de idade; altiva, veemente nas suas inclinações esportivas; tem os olhos castanhos escuros, corpo escultural, alma amorosa, emotiva, que mais de uma vez ela sentiu seus olhos marejar de lágrimas ao lembrar-se do namorado, um sansei que se foi para o Japão. Será que ela ainda mora na Vila Nova Conceição? <br><br>Na distância do tempo, ele e tia Juliana, para surpresa dele, um dia se encontraram nos recantos do mercado, quando a noite veio queixosa e mansa e o vento frio beijava o teu rosto pálido e afagava em brisas leves os teus crespos cabelos soltos, e lá no céu havia os rubis pregados no firmamento que brilhavam menos que o teu olhar sereno e vivo. Estará ele pensando, por onde andará essa linda e enamorada donzela? <br><br>E as princesas germano-austríacas que candura de espírito, essas duas moças irmãs gêmeas, as Hertz, sempre afeitas à luta pelo sustento diário da vida. Por onde andarão essas moças? Elas trazem à memória a candura das planícies cobertas do trigo maduro e as granjas cercadas de acácia, cheirando suas florestas à resina do pinho ou do salmão defumado que transparecem no gelo fino do Rio Danúbio Azul. Será que elas estarão morando por lá?<br><br>Sonia Maria quase pouco a conhece, porém, a pupila de seus olhos parece nadar em um fluído de luz dentro de um cerco de ouro de suas pestanas claras; tudo nela é harmônico, magra, de estatura média, esbelta, movimentos ágeis, os cabelos crespos escuros que sombreiam sua fronte morena com uma covinha cativante no canto direito da face. Vinha sempre passear aos domingos na Praça Cornélia, na Vila Romana, no bairro da Lapa. Será que ela ainda estará morando por lá?<br><br>Louri, rainha das rosas, gestos delicados, meiga, carinhosa, morena, lábios sensuais, olhar feiticeiro de expressão serena, olhos estirados cor castanho claro; dentes bons, perfeitos, boca bem feita, maxilares bem dispostos na arcada dentária em perfeita simetria. Dentes! Ah! Ela é mesmo toda riso de amuo de juventude ingênua e pura. Será que ela continua morando no Jardim do Líbano em Pirituba?<br><br>Taise, Talita, Taisa que confusão de nomes! Todas com a letra "T" são serenas, meigas e gentis; Yara, Natália, Diana, Claudia, Karen, Bruna e a suave Denise, linda Yonará, doce Ana, jovem e bonita; Beth, sorriso franco, expressão alegre no rosto claro de menina moça; Marina sempre atarefada, olhar sereno e alegre, linda jovem recepcionista sentada no quiosque do Shopping Lapa, trás à memória o seu rostinho simpático, uma covinha charmosa no canto direito da face encantadora, tão bonita, em uma expressão pura de amuo e juventude presente; era ela do bairro de Pirituba? Ou quem sabe, da Freguesia de Nossa Senhora do Ó? Será que ainda mora por lá?<br><br>Linda e simpática, Beatriz tinha ele diante dos olhos uma mocinha, uma menina quase. Como lastimou ainda não ter louvado, a sua beleza juvenil em nobre rima para encontrar no canto lírico que exprimisse o tempo que com ela conviveu e que a viu pasmado! E o olhar de chama ardente, a trança crespa de finos cabelos feitos em novelos revoltos, e o rosto que hoje ao se lembrar dela aos seus próprios danos o faz medroso e lento! Será que ela ainda mora em Santa Teresinha ou em Santana?<br><br>"Oh"! Príncipe, encantado viúvo das serenas noites estreladas, mito das madrugadas solitárias, és por acaso Cupido ou Febo? Oh! Príncipe vê, o caso aqui é urgente; onde andarão essas lindas moças de outrora? Dizes então solitário o que é feito do universo de tua constelação? Sumiu? Ah! Como tudo mudou. Hoje há uma saudade do tempo passado e que a vida te presenteou com essas lindas moças de outrora que, infelizmente, elas por aqui nunca mais voltarão!<br><br><br>E-mail: [email protected]