Eu nasci em 1940, em São Paulo, na Rua da Consolação. Aos dez anos eu já conhecia e frequentava o Parque Trianon, na Av. Paulista; era normal na época as crianças irem brincar no parque; íamos nas balanças, brincar na areia, correr pelas ruas do parque, enfim, era um enorme “playground” para as crianças que moravam próximo ao Parque Trianon.
Foi em 1960 que a história do parque começou a ser mudada para um parque misterioso; pela entrada da Av. Paulista ficavam vários carrinhos de pipocas, doces, vendedores de balões, etc., ficavam até altas horas da noite vendendo de tudo.
Foi aí que os cafetões e as prostitutas passaram a fazer ponto na avenida. Começava a folia às 8h da noite e varava a madrugada até às 6h da manhã.
Depois das 8h, era difícil ver uma família passeando pela calçada do Parque Trianon, a polícia começou as patrulhas nas imediações do parque, e começava as brigas com os cafetões e as prostitutas.
Elas levavam os clientes para dentro do parque para fazer os programas, antigamente o parque era totalmente aberto.
Houve vários assassinatos dentro do parque, muitos nunca foram esclarecidos. O parque até 1985 tornou-se um local muito perigoso. O maior assassino de homossexual agia no Parque Trianon, o qual conhecia suas vítimas; matou mais de dez homossexuais, ele morreu na cadeia de AIDS.
Inclusive o assassinato do empresário dono do perfume Rastro, ele foi morto a tesouradas por garotos de programa no Parque Trianon e depois levado para São Bernardo e jogado em uma vala onde o corpo foi encontrado; foi um parque de muitas histórias misteriosas, curioso que a impressa nunca noticiou os acontecimentos.
Eu sei o que estou escrevendo porque fui vizinho do parque por mais de 30 anos, hoje o parque está todo fechado com grades e fica aberto até as 20, depois fecha para o público; é mais uma história da Av. Paulista, a mais conhecida do mundo, também teve o seu lado negro da história, espero que o site SPMC publique esse texto interessante, porque muitas pessoas desconheciam a história do Parque Trianon.
Enfim, mais uma história da cidade grande.