As escolas de samba do Brás

Naquela época dos anos 40 e 50 eram duas: Iperoy e Turu-Turu. Por que os nomes? Realmente não sei. As cores: a Iperoy era em vermelho e preto, a Turu-Turu era em azul e branco. A Iperoy foi fundada em 4 de abril de 1944 e essa data ficou na minha memória por causa da música de 1949 que dizia: 4 de 4 de 44 foi nessa época que a Iperoy nasceu; 4 de 4 de 49 faz 5 anos que ela já viveu; a Turu-Turu foi fundada depois.

A Iperoy era muito maior, com muito mais componentes e muito mais organizada. Sua sede ficava quase na esquina da Rua Maria Marcolina com a Conselheiro Belizário, a Turu-Turu tinha sede em uma casa na Vila Silvio, uma vila que saindo da Rua Barão de Ladário ia até a Rua Monsenhor de Andrade e ainda tinha uma comunicação com a Rua Oriente, hoje tão famosa pelas lojas que pessoas do Brasil e até da América do Sul procuram para comprar, principalmente roupas a preços mais módicos. Hoje, ela é ocupada principalmente por coreanos. A Iperoy era dominada pelos os bailes de Carnaval do Oberdan.

Registro aqui dois acontecimentos significativos que ocorreram com as duas escolas de samba:

– Turu-Turu: nos Carnavais do início da década de 50, o presidente, objetivando dar ordem aos componentes da escola, exigiu que todos, mas todos mesmo, se apresentassem no desfile com blusas de cetim azuis e calças brancas. Não haveria perdão: quem não se apresentasse assim não desfilaria. No dia do desfile todos se apresentaram exatamente como o presidente pediu. Menos o presidente! Ele se apresentou de calça azul e blusa branca de cetim. O que aconteceu? Acabou a escola ali mesmo.

– Iperoy: na Rua Muller, próximo à Rua Oriente existia uma grande construção que havia sido locada pela aeronáutica e servia tanto de quartel como oficina de reparação de componentes dos aviões. Esse espaço depois foi ocupado como garagem da empresa de transportes Auto do Pari e ainda posteriormente pela São Paulo Editora. Quando ocupada pela aeronáutica, circulavam ali inúmeros soldados, incluindo muitos oficiais da aeronáutica; o uniforme deles era idêntico aos da aeronáutica americana. Dado a isso, eles eram chamados de Coca-Colas.

Imponentes, como se tivessem o rei na barriga, tentavam conquistar as moças do bairro. O pessoal do Iperoy, enciumado, começou a ter atritos com eles. Nos finais de semanas e feriados havia um “footing” na Rangel Pestana e os Coca-Colas tomaram o pedaço; ficavam parados junto às paredes e as moças desfilavam pelas calçadas. E daí saiam os encontros entre as moças casadoiras e os militares imponentes. Os componentes do Iperoy se sentiam desprezados.

Aí chegou o Carnaval! O Iperoy foi desfilar passando exatamente no pedaço do “footing”. Dá para imaginar o que aconteceu? A maior briga de todos os tempos que eu presenciei no Brás. A coisa foi feia. Muitos feridos. A briga foi relatada em todos os jornais da época. E na primeira página. Essas são algumas histórias que me recordo referentes às escolas de samba que o Brás teve.

E-mail: [email protected]