Em 1959 o centro novo de São Paulo irradiava jornalismo, arte alegria e boêmia. O gerador desta efervescência era o Edifício, construído a mando de Assis Chateaubriand para abrigar o Diário de São Paulo.
Diz à lenda que, ao planejar o novo jornal, doutor Assis encomendou rotativas alemãs, claro que com financiamento de generosos patronos. Buscando prevenir um futuro sequestro de bens, Chatô determinou que se instalassem as maquinas e sobre elas levantassem uma caixa de concreto afirmando:
– “Não quero que elas venham a ser sequestradas”.
No imponente Edifício, ainda hoje firme e forte, além de os diários, vieram a se instalar a primeira estação de televisão e a TV Tupi, o Museu de Arte de São Paulo, e muitos escritórios de advogados famosos e da pioneira Mac Cann Erikson. Contiguo ao Museu, por inspiração de Flavio de Carvalho, funcionava o Clubinho, que por sua vez gerou o Clube dos Artistas e Amigos das Artes que vai instalar-se nos porões do Clube dos Arquitetos, na esquina das ruas Bento Freitas e General Jardim.
No Clubinho, a partir das 17h ou 18h, a fina flor da intelectualidade de São Paulo, jornalistas, artistas, advogados, publicitários, políticos escritores, poetas, pintores, iam chegando para o primeiro uísque, era a fina flor da alegre boemia paulistana. Entre os mais assíduos destaco de memória os irmãos Arnaldo e Oscar Pedroso D’Horta, Luiz e Dinah Coelho, o Delegado João Leite, Sergio Miliet, Luiz Martins, Paulo Vanzolini, Di Cavalcante, Sergio Graciano, Ricardo José Carneiro da Cunha, Ascênsio Ferreira (quando de passagem por São Paulo) Paulo Bonfim e muitos outros. O bar começava a querer fechar a partir das 20h. Os que trabalhavam iam jantar e depois dormir, os mais boêmios seguiam para os porões do Clube dos Artistas, que varava a noite e via o raiar do sol ainda cheio de amigos.
Nas proximidades deste pólo de irradiação havia ainda o Paribar, que com suas mesas na calçada recebia para almoços rápidos e drinques ao anoitecer. No ano passado foi inaugurado um novo Paribar.
Preciso ainda lembrar a Boate Oasis, Instalada no amplo porão do edifício Esther, na esquina com a Avenida Ipiranga. Sempre guardada pelo imenso porteiro Atílio, vestindo um imponente libre com muitos galões dourados, recebia a fina flor da grã-finagem e os boêmios mais sofisticados.
Quantas saudades dos tempos em que enchíamos a cara de bar em bar, andando a pé, ou melhor: “malemolentemente cambanhando”.
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