20h. A expectativa é enorme, o Estádio do Pacaembu já se apresenta praticamente lotado, existe alguns atrasados para presenciar este duelo de gigantes, duelo este que a mídia várias semanas vem destacando em seus noticiários, existem poucos espaços, esconde-se as escalações das equipes, seus treinadores ocultam a tática a ser usada, a TV é bloqueada com os seus repórteres impedidos livremente de trabalhar, a liberdade de imprensa é posta a prova, não é respeitada; os holofotes são acesos, o serviço de alto-falantes soam os hits sertanejos com uma ou outra informação relacionada a grande partida; o coração se angustia, a pulsação torna-se impotente ante a ansiedade, as quatro linhas demarcadas no gramado verde esperam mais tarde que pernas se envolvam como gladiadores disputando uma bola branca no espaço em busca do objetivo maior: o retângulo das redes da glória, da vitória.
O coração alvinegro, ainda nem bem a partida começou, bate mais acelerado, teme-se uma síncope e é quarta-feira, partida final da Libertadores, edição 2012; logo mais as 21h50, pontualmente, a bola começará a rolar. Agora pelo meu relógio são 18h50, do dia 4 de julho do ano "santo" de 2012; daqui três horas, gladiadores alvinegros lutarão na Arena Verde, transformada em preto e branco contra os indomáveis portenhos do Boca, aliás de Juniors não tem nada, pois possuem na sua vitrine de glórias "apenas" seis Libertadores. Penso com meus botões: será que o Samba suplantará o fascinante Tango?
Quase meia-noite ainda é 4 de julho, sabe o que aconteceu, nem precisou consultar uma bola de cristal tal a confiança em um desfecho feliz, aconteceu sim uma partida truculenta com jogadas ríspidas de lado a lado, a garra corintiana predominava ante uma plateia extasiada; a "ola" dos bandos de loucos daria um toque especial; luzes, câmera, ação, o espetáculo continuaria, os fogos de artifícios, um show de cores sem precedentes, as faixas, as bandeiras coloririam toda a extensão do estádio, sendo que um ruído ensurdecedor ecoaria ante aos aplausos, as jogadas mirabolantes dos atletas; os gols foram acontecendo, o grito de campeão entalado na garganta se fazia sentir.
O Corinthians venceria para a loucura de sua vibrante torcida; muitos torcedores se abraçariam tal a satisfação, viu-se pelo canal global as lágrimas, os desabafos; ótimo, o vencido não foi o Boca de vitoriosas jornadas, diria um renomado cronista esportivo presente, todavia nada importaria, nem um Barcelona inspirado venceria nesta noite, a garra, a volúpia em ganhar foi colocada na ponta de cada chuteira. Ganhou-se a primeira e sonhada Libertadores. Foi feita então a volta olímpica, sendo o troféu reluzente passado de mão em mão, todos queriam tocar neste objeto cobiçado; com a medalha no peito deram a sua contribuição para este feito. O grito de campeão ecoou por aí afora.
Depois as comemorações vararam a madrugada, quase ninguém dormiria direito tal a euforia estampada em cada semblante. Temos que dar mão a palmatória, a equipe teve o seu mérito graças ao seu endiabrado atleta Emerson. Bem, o fim do ano se avizinha, o Japão abrirá e verá chegar em terras nipônicas esse bando de loucos para tentar o bi mundial. Haverá ingleses para ver…
Antes que eu me esqueça, as emoções continuaram na noite de 5 de julho, quando o meu Palmeiras, diga-se de passagem não está ganhando nem campeonato de botão; tentará ganhar do Coritiba, partida passaporte para a Liberta 2013; oxalá aconteçam as mesmas emoções que aconteceram na noite anterior, 4 de julho, quatro dias antes da data de meu aniversário, tomara que eu tenha uma vitória como presente. Não acredito, estou ficando velho… Em tempo, estamos em 6 de julho e não é que o verdão ganhou de 2×0, para a minha alegria, após um primeiro tempo horrível, todavia, o time foi avassalador no segundo tempo, fora ao meu ver contagiado com o vírus vencedor de um Corinthians iluminado. Que venha a decisão final, meio caminho foi dado. Libertadores, Copa do Brasil, taça é taça, isto é que importa. Antes, agora, depois… agora garra palmeirense…
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