Anos setenta, uma Copa inesquecível!

Tinha 14 anos na época desta inesquecível Copa. Os rádios e TVs em promoção nas lojas não paravam de tocar a marchinha símbolo, que até hoje não é esquecida: "Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção! Todos juntos vamos, pra frente Brasil,salve a seleção…".

Os anos 70 de Ditadura Militar pareciam não refletir, naquele momento festivo, o que acontecia nos bastidores do país. Os craques da seleção de todos os tempo posavam para fotos especiais, davam entrevistas.

No Brasil, uma grande euforia tomou conta do povo desde a partida da seleção. Que constelação brilhante e genial era aquele timaço de campeões, citando alguns: Félix, o goleiro; Rivelino; Carlos Alberto, o capitão; Pelé e tantos outros mais.

O país da realização da Copa, simpático e cativante. O México e seu mascote, Naranjito, que encantava a todos… Quem da época não está lembrado?V ários desenhos, bonecos e chaveiros o simbolizavam com seu enorme sombreiro.

E a cada partida, um show de bola especial! O povo ia para as ruas e tudo virava Carnaval, com direito a chuva de papel picado e banda para animar.

A final emocionante foi assistida por muitos no centro da cidade e logo após, um Carnaval monumental tomou conta do país. A chegada dos jogadores com a taça Jules Rimet, carregada por Carlos Alberto, foi um dos momentos mais marcantes.

Naquele dia, fazíamos uma excursão para o Rio de Janeiro e o trânsito da Avenida Brasil parou diante da carreata da seleção que passava e todos saíram dos ônibus. Carros para acenarem aos campeões, dançando ao som da marchinha, que quase virou hino !E eu, ainda perplexa e curiosa, indagava:
– Por que não podemos encontrar todos os livros de Jorge Amado na Biblioteca Escolar?
– Cuidado, fale baixo – diziam alguns colegas.
– Gostaria muito de poder conhecer os livros censurados? Só mesmo escondidos no terraço – respondia uma amiga de turma, que os levava um a um em uma fronha.

Com tudo isso, eram belos tempos, principalmente no futebol! Setenta, uma copa que deixou saudades!

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