Anália Franco e Regente Feijó

Noite fria, muito fria. O pequeno balão descia quase apagado, mas parece que uma pequena chama insistia a fumegar. Saíamos correndo atrás para pegá-lo. Era certeza: pela posição do vento, iria cair no "Matão" perto do Parque Ceret naquele tempo em fase de terraplanagem.

Matão… Esse era o nome das terras onde hoje está o Shopping Anália Franco. Lugar de muito mato, passarinhada, bem às margens da Av. Regente Feijó, próximo de um antigo casarão, onde diziam que até D. Pedro II já havia pernoitado por lá. Onde está a Av. Abel Ferreira, havia um pequeno córrego onde meu pai pescava lambari aos montes.

O Matão era o cemitério dos balões: eles insistiam em cair ali. Estes infestavam os céus de São Paulo nos meses frios, especialmente quando tinha jogo de futebol… Era uma festa!

Hoje tudo mudou. O bairro cresce desproporcionalmente com seus arranha-céus. Nem dá mais para andar nas ruas congestionadas. Perdeu-se a simplicidade do bairro, das pessoas, da Praça Bom Parto, onde havia exposição de pássaros. Hoje o que se vê é ostentação, o individualismo das pessoas, a ganância.

Que pena. Foi-se São Paulo de gente pura, simples, onde era comum os vizinhos se visitarem para um café com bolo de fubá em um final de tarde, ou assistir a um jogo de futebol no campinho, sem preocupação.

Ai que saudades que dá!

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