Amigos para sempre

Casamos e ponto final! Ao encontrarmos a mulher que passou a ser nossa esposa, os nossos amigos passaram a distanciar-se de nós (fisicamente) sem que percebamos (na maioria dos casos). Evidentemente a atenção passou a ter prioridade para a família, o lar que se iniciou, o trabalho e o nascimento dos filhos, ou seja, uma nova rotina na vida de cada um de nós. Em alguns casos por um bom tempo permanece ainda um vínculo com algum deles, mas aos poucos vão se distanciando, chegando a hora em que eles pró-pios resolvem casar, mas cada um sempre presente nas nossas lembranças. As aventuras, as brincadeiras na infância, as confidências ou um programa da hora, ocorridos em um dia qualquer da nossa vida.

Chego então, como eu poderia dizer "à calmaria". Com os filhos já formados, chegando os netos e para a maioria de nós a aposentadoria, surgindo sempre as mesmas perguntas, onde procuramos respostas meio sem saber como responder. Puxa como a vida passou tão depressa, até parece que foi ontem. Engraçado, acabei de lembrar-me de um deles: "Edson Bras" – Só faltava morarmos juntos, porque não desgrudávamos. Ele estudava no Ascendino Reis da Rua Azevedo Soares no Tatuapé. Sábado pela manhã os dois no clube do Corinthians e já programando o bailinho de fundo de quintal para a formatura do colégio logo mais a noite. Na madrugada de sábado na casa do Gerson o jogo de cartas "sete e meio" e "vinte um".

Domingo a missa dos Congregados e à tardinha jogar "tombola" na casa do bolão. Caso houvesse baile à noite lá estávamos nós. Nos carnavais a turma toda no apartamento dos seus pais lá na baixada Santista, na praia de São Vicente. Teve o "Brardo da Paiva Neto" também congregado. Seu pai era importador, e um dos itens era os cigarros "L&M" e Malboro. O pai não sabia que ele fumava. Ele aproveitava e surrupiava de vez em quando um pacote e deixava comigo para guardar no quarto em que eu morava lá na Igreja Cristo Rei (para saberem, não éramos tão santos como vocês pensam).

Seu sonho que se concretizou foi ser piloto de aviação. Formou-se na "Aeronáutica" passando a ser professor pelas Forças Aéreas. E os "Gêmeos" então: Carlos e Sadala. Era a alegria da turma. Alegres, extrovertidos e medrosos. Moravam em um prédio pequeno de três andares na Celso Garcia, ao lado da panificadora Vera Cruz. Por ser um prédio antigo, não havia elevador. As escadas para acesso aos apartamentos não tinham a tecnologia de hoje em que acendem as luzes e apagam automaticamente depois de alguns minutos. Tinham que subir no escuro. Quando o programa aos sábados ia se prolongando noite adentro, e um deles queria ir embora, era um martírio. Tinham que ir embora juntos, porque subiam as escadas do prédio de mãos dadas. Não sei como o pessoal distinguia um do outro, coisa que eu nunca consegui. Procurei encontrar algum traço que poderia diferenciá-los, mas nunca tive êxito.

Lembrei também do "Viola", apelido, é claro. Não consigo lembrar o nome dele. A cachola já não funciona tão bem como eu gostaria que fosse de tempos atrás. Era o mais velho da turma, acreditando ter uns 20 anos a mais do que nós. Por ser solteirão, a turma fazia gozações dizendo que ele era namorado de uma senhora (velhusca) que pertencia as "Filhas de Maria" da Igreja. Toda desengonçada, cabelo branco despenteado em que a apelidamos de "Matusalém", que maldade. Era o companheiro dos jogos de carta e da Tombola. Nas tardes de sábado estávamos juntos nos jogos de futebol da várzea no Campo do Urca, que ficava na Rua Teixeira de Melo, hoje transformado no "Sesi e Senai" do Tatuapé.

Fiquei sabendo anos atrás que eles já nos deixaram, partindo ainda jovens. Esse relato é apenas um resumo do nosso convívio, mas o dia a dia através de décadas juntos foram tantos, que vocês irão se deliciar com várias histórias que tenho para contar aqui no SPMC. Esses "são" alguns de meus amigos queridos. Saudades…

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