Sou de uma época em que os ambulantes predominavam nos bairros mais afastados, das ruas de terra, onde os mercados e secos e molhados eram longe ou quando perto tinham poucas opções de mercadorias.
Todos os dias passavam em nossa rua os carrinhos e/ou carroças a cavalo, ora o peixeiro, ora o mandioqueiro, esses ainda passam nesses anos de 2012, com aqueles carrinhos de pedreiro cheio de mandioca, também passavam os vendedores de utensílios para o lar, e outros com cobertores e toalhas de banho e rosto e muitas bugigangas, ainda passam de vez em quando, esses últimos dominados pelos povos árabes, sírios, libaneses e turcos, hoje a maioria é de brasileiros mesmo.
Mas o que me chamou a atenção nesses anos atuais são os peixeiros que pelo que vejo não existe mais nas ruas e sim os mandioqueiros ainda passam disputando espaços com os automóveis e ônibus e por sinal o que passa por aqui vende aquela mandioca amarela muito macia que depois de cozida e preparada com uma picanha na brasa não tem nada igual, mas tem uma branca que não amolece nem com reza brava.
Os peixeiros, sardinheiros e os mandioqueiros pesavam os produtos em um dinamômetro, o mais simples da série, aquele aparelhinho graduado com uma argola em uma ponta e um gancho na outra e uma mola interna. Será que esses ambulantes sabiam que o dinamômetro era para medir a intensidade de forças dada em kgf ou N? E que a balança indica a medida de massa, de um corpo (peso), dada em kg ou g?
Claro que fazendo certas calibrações obedecendo às leis da gravidade e as CNTP, pode-se chegar a esses dados bem aproximados. Será que fomos enganados no peso ou eles levavam prejuízo, creio que havia uma forma comparativa com alguma balança em algum lugar para depois saírem para as ruas vendendo e afirmavam que o peso era preciso.
Lembro que nas feiras livres também usavam essas "balanças" com maior diversidade, era nas batatas principalmente. Alguns tinham aquelas balanças de peso em tarugos de bronze de vários gramas, onde no centro havia uma régua graduada que media a massa em peso, chamada de braço. Mesmo assim muitos enganavam as donas de casa pedindo para elas conferirem o peso olhando de lado, o chamado erro de paralaxe, que dá a visão de medida certa, assim como faziam os açougueiros de antigamente, onde as balanças analógicas com seus ponteiros, que também era fácil enganar o cliente, quando se olhava de lado, o ponteiro estava em 900g, por exemplo, e de lado parecia que até tinha passado de 1000g (1,0Kg).
Com o surgimento das balanças digitais esses problemas acabaram, a não ser se o dedo do comerciante for viciado e ficar na balança bem disfarçado. Enfim, quando a desonestidade, a falta de informação estiver presente não há como evitar certos abusos.
E-mail: [email protected]