São Paulo (Capital), 9 de abril de 1912. Nascia no numero cinco da Rua Vitorino Camilo, na Barra Funda, bairro da Santa Cecília, casa antiga do século XVIII, hoje número 61 daquela rua assobradada que resiste até os dias de hoje. Um sobrado de três andares, com diversos quartos de aluguel, igual a 1912.
No primeiro quarto, do lado esquerdo de quem sobe a escada do segundo andar nasceu Amácio Mazzaropi, filho do italiano (napolitano) Bernardo Mazzaropi e da taubateana Clara Ferreira Mazzaropi. Ali viveu até completar oito anos; depois veio o Brás, Vila Maria Zélia. Estudou no grupo escolar São José do Belém até o segundo ano de grupo. Teve uma infância pobre, quase miserável, mais encontrou sempre no seu lar o amor incondicional dos pais Clara e Bernardo Mazzaropi.
Aos 14 anos, com os pais, mudou-se para Sorocaba, mas o desejo de se tornar um artista o fez tomar decisões que mudariam para sempre sua vida. Fugiu dos pais e foi para Curitiba viver com o tio paterno. Lá encontrou, aos 17 anos, o faquir Ferry, a quem chamava de Silque.
Fugiu novamente, dessa vez com o faquir, e voltou para São Paulo e como assistente de faquir e começou assim a sua sonhada carreira de artista o que o tornaria mais tarde o rei do cinema brasileiro, o “Jeca do Brasil”.
No Teatro Oberdan e Colombo, inspirado em Genésio Arruda, apresentou-se pela primeira vez de “Jeca”.
O sucesso no teatro o levou ao rádio e a televisão. Especificamente para a Radio e Televisão Tupi, com o Programa Rancho Alegre. Conheceu Geni Prado, sua companheira artística por toda a vida.
Mais uma vez o sucesso no rádio e na televisão marca com ele um novo encontro, agora com o cinema. Levado pelas mãos experientes de Abílio Pereira de Almeida a Companhia Cinematográfica Vera Cruz lançou um novo sucesso que o transformou definitivamente no rei do cinema brasileiro, o filme “Sai da frente”.
Após oito filmes como empregado contratado decidiu produzir seus próprios filmes e em 1958 fundou a Pam Filmes – Produções Amácio Mazzaropi.
Com a Pam Filmes produziu, entre 1958 e 1980, 24 filmes e levou todos ás salas de cinema do Brasil, exatamente 206.779.311 (Duzentos e seis milhões, setecentos e setenta e nove mil trezentos e onze pessoas) pagantes.
Mazzaropi produziu com recursos próprios 24 filmes, dos quais 18 estão entre os filmes mais assistidos do cinema nacional, seis são recordistas de publico. O filme Jeca Macumbeiro é o maior recordista de publico e renda da historia do cinema nacional, colocou em quatro semanas de lançamento 16.800.011 pessoas pagantes nos cinemas, igualando-o ao maior recordista mundial de publico, o filme O Tubarão, de 1975.
Em Taubaté, terra natal de sua mãe Clara Ferreira, Mazzaropi comprou, em 1962, uma fazenda e transformou-a em seu primeiro estúdio, era a Fazenda da Santa. Mais próximo da cidade construiu seu grande estúdio e o transformou em hotel, hoje lá funciona o Hotel Fazenda Mazzaropi.
Em nossos cardex (Pam Filmes) (Controle de exibição – Praça – Publico e renda) – o filme Casinha Pequenino obteve, de 1963 á 1981, 73.867.093 espectadores, o equivalente a quase toda a população do País na época.
Em 1981 no Cardex da Pam Filmes estavam cadastradas 11.648 salas de exibição no Brasil, sendo que apenas 48 cinemas tinham mais de uma sala, com média de 800 lugares. Havia naquela época cinemas com salas entre 500 e 3000 lugares (caso do Penharama, em São Paulo).
Diferente do que tudo que se escreveu e se falou a seu respeito sua grande paixão sempre foi o circo e não o cinema; o cinema lhe deu aquilo que o circo não conseguiria lhe dar, dinheiro. Teve também uma grande paixão platônica a apresentadora e amiga Hebe Camargo.
Na manhã do dia 13 de junho de 1981, aos 69 anos de idade nos deixa, vitimado por um câncer na medula óssea, deixando o Brasil inteiro mais triste e choroso.
Morreu solteiro e não teve filhos naturais, mais ao longo de sua vida criou cinco pessoas e as tratava como se fosse seus filhos. Tive a honra de ser um deles, alem de ser seu filho no cinema.
Desde que se foi deixou marcas profundas na população do Brasil, pois através de seu cinema construiu a formação de famílias inteiras que se conheceram através do cinema.
Em 10 de setembro de 1983, na cidade de Leme-SP subi ao palco para relembrá-lo pela primeira vez, e desde então foram 1581 apresentações do monologo “Tem um Jeca na cidade”, feito por mim, André Luiz Mazzaropi – O Filho do Jeca.
Foram muitas historias, risos e emoções…
Em sua homenagem e para contar sua verdadeira historia, vou lançar em 2012 um livro “Simplesmente Amácio Mazzaropi”.
Esta historia ninguém me contou, eu a vivi.
Agora em 2012 vamos comemorar o seu centenário.
Mazzaropi não morreu, esta vivo na memória do povo brasileiro. Celebramos!
Filmografia Mazzaropi
01ª – Sai da Frente
02ª – Nadando em Dinheiro
03ª – Candinho
04ª – A Carrocinha
05ª – O Gato de Madame
06ª – Fuzileiro do Amor
07ª – O Noivo da Girafa
08ª – Chico Fumaça
09ª – Chofer de Praça
10ª – Jeca Tatu
11ª – As Aventuras de Pedro Malazartes
12ª – Zé do Periquito
13ª – Tristeza do Jeca
14ª – O Vendedor de Lingüiça
15ª – Casinha Pequenina
16ª – O Lamparina
17ª – Meu Japão Brasileiro
18ª – O Puritano da Rua Augusta
19ª – O Corintiano
20ª – O Jeca e a Freira
21ª – No Paraíso das Solteironas
22ª – Uma Pistola para Djeca
23ª – Betão Ronca Ferro
24ª – O Grande Xerife
25ª – Um Caipira em Bariloche
26ª – Portugal Minha Saudade
27ª – O Jeca Macumbeiro
28ª – Jeca Contra o Capeta
29ª – Jecão…Um Fofoqueiro no Céu
30ª – Jeca e o seu Filho Preto
31ª – A Banda das Velhas Virgens
32ª – O Jeca e a Égua Milagrosa
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