Ainda rua Augusta

1950, ainda residindo na Rua Augusta 291 eu já me tornara atleta infantil da Associação Física São Paulo (ACF) que ficava na Rua Augusta 23 e foi demolida anos depois para a passagem de acesso ao minhocão.
Foi nesse clube que em 1964, num baile Junino, Pró-Formatura da Turma do Senta Pua, já comentada em texto anterior, eu apresentei a melhor e maior quadrilha caipira da minha carreira.
Pois bem, comecei este texto falando das ACF e de festas juninas, por causa do fechamento do mês de Junho no dia de ontem e, mesmo estando trabalhando no interior de São Paulo e até tentando encontrar uma festa típica, uma quermesse à moda antiga, uma barraquinha de quentão, paçoca e milho verde.
Então, minha saudosa memória foi lá pra traz buscar passagens que matassem minha saudade.
Meu pai era secretário da ACF que tinha como presidente, na época, o Sr. Souza, um cinquentão alegre, brincalhão e bastante conceituado. Ele morava com a família na mesma Rua Augusta, se não me falha a memória numero 1084, um pouco acima da Rua Costa e quase em frente à Rua Peixoto Gomide.
Era uma casa suntuosa, construída em terreno alto, uns 4 metros acima do nível da rua, com um amplo jardim, pomar e quintal onde em várias vésperas de Natal fui buscar pinheirinhos para ornamentar a nossa festa.
O Sr. Souza era casado com Da. Mercedes, muito solicita alegre e carinhosa, que sempre que me via me fazia agrados e carinhos.
Eles eram pais de uma moça, cuja imagem ficou gravada em minha mente, e, até hoje, basta fechar meus olhos que a vejo de imediato. Era a Norma, Norminha para os amigos e os alunos de educação física das aulas que ministrava na ACF junto com o Mauro, outro professor de ginástica sueca e aparelhos e que me ensinou os primeiros passos no atletismo.
As festas juninas na casa do Sr. Souza eram de arromba (sem serem as cantadas por Erasmo Carlos), atravessavam as madrugadas e davam aos seus convivas divertimentos tais como o pau-de-sebo, o pulo da fogueira, a solta de balões (na época ainda permitidos).
Que pena que nos brasileiros não sabemos cultuar nossas tradições!

e-mail do autor: [email protected]