A.E. Carvalho

Até hoje me lembro do primeiro dia de aula na escola no Milton Cruzeiro. Meus pais foram me levar e me acompanharam até a escada ao lado da cantina e de lá subi sozinho para o sorteio das salas de aula.

Lembro até hoje dos meus pais chorando ao me verem subindo aquelas escadas. Torci para ser chamado pela professora mais bonita a Rita Guerra. Lá aprendi muito. Tive professoras inesquecíveis como a Dona Benedita, minha mestre negra que moldou meu caráter.

As ruas não asfaltadas, o longo caminho até a escola pela Avenida Alamandas, os dias de neblina e frio e os campinhos de futebol. A venda da Gorete, perto da Rua Uacari no ponto final do ônibus que levava ao parque Dom Pedro. Tive uma infância humilde, mas muito feliz.

Estive no bairro outras vezes, revendo a casa simples em que morei. Moro hoje na Zona Sul em um lugar muito bonito. Mas minha filha tem que estudar em escola particular e só brinca no condomínio. A escola pública perdeu o caráter democrático de reunir pessoas diferentes. Sinto muita saudade do meu tempo inocente de infância na AE Carvalho.

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