Adeus Nair!

Ontem, com o coração apertadinho, decidi não escrever o que me ia pela alma. Os olhos marejados e a mente conturbada não me permitiriam escrever com clareza.
Hoje, mais calmo, mesmo que com um soluço engasgado na garganta, sento-me à frente desta maquininha para registrar minha mágoa.
Ontem, o fio de esperança que ainda me mantinha ligado ao absurdo partiu-se e minha primeira musa se foi para o andar superior, lutou como podia durante 6 longos e penosos meses e não mais resistindo deu seu último suspiro.
Morreu Nair Bello!
Confessei por diversas vezes ter sido ela a primeira mulher que balançou meu coração.
Isso quando ela ainda dava os primeiros passos profissionais na antiga Rádio Record de São Paulo, no auditório que ficava no prédio na esquina da Rua Quintino Bocaiúva com a Rua Direita.
O jovem ainda imberbe se apaixonou por aquela mulher no primeiro instante e a paixão se manteve acesa por toda uma vida. Paixão platônica, claro, mas sempre paixão.
Mesmo agora que ela partiu para o andar de cima indo se encontrar com antigos companheiros, com seu marido e, principalmente, com seu filho, meu coração ainda guarda essa paixão e minha memória registra, entre mais de um milhão de imagens, a imagem de uma morena deslumbrante, de tez muito clara, cabelos negros como azeviche, olhos grandes e expressivos, corpo escultural, riso claro e retumbante e, principalmente, trajando um tailleur vermelho, fazendo a locução comercial do Programa “Hoje é Domingo” ao lado do companheiro Randal Juliano.
Nair, sei que você gostarias que eu fizesse este texto dando boas risadas, mas te juro não consegui e ele só não vai marcado por uma lágrima por causa da tecnologia moderna e pela ausência do papel.
Que a LUZ te receba e acompanhe

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