Adeus meu amigo Mazzaropi

Tempos da infância, da meninice despreocupada, adolescência, fase dos primeiros amores, idade adulta… Formação de família… Realização profissional… E o tempo passa… Como tudo na vida passa.

Caminhando pela estrada da vida já vislumbro o marco dos setenta se aproximando; paro e sinto a sombra da saudade amenizando o calor e trazendo o frescor dos ventos de outono, suavizando a jornada como que preparando a caminhada para a etapa final… Inverno… da vida… Aí, recebo um telefonema de um amigo de infância que não via há mais de 40 anos, me localizou pelo site do São Paulo Minha Cidade e pelo meu nome foi fácil achar-me. Seu nome: Lourival. Fiquei feliz; o apelido dele era "Mazzaropi" devido à semelhança com o ator.

Era uma terça-feira, marcamos para comer uma pizza em um restaurante no Brooklin e relembrarmos os velhos tempos de criança e juventude. Como nosso amigo Mazzaropi não chegava, eu, meu irmão, Maldinho de Pongaí, Juca 51, Fufico e outros resolvemos comemorar, e aquelas conhecidas frases: “Aquele sem vergonha não vem”, “faz mais de 40 anos que não o vemos e ainda faz isso com a gente”, “deve ter enchido a cara e esqueceu”, “desde moleque ele sempre foi de dar o cano”, ou “a sua mulher não deixou ele vir”, “é um tratante”, “vigarista como sempre”, comentários, lembranças e gargalhadas foi o assunto da noite.

Passado uma semana, ligo para a casa dele, sua esposa atende e pergunto pelo Lourival (não usei o apelido), pois não tinha intimidade com ela. “Você não está sabendo Joubert? Ele faleceu na semana passada, ataque cardíaco, dois dias antes do jantar”, disse ela, qual não foi meu espanto, falei sobre a nossa infância, ela me disse que ele comentou sobre o jantar que teria com os amigos, que não os via há mais de 40 anos e estava feliz da vida em nos ver. Ela não viu minhas lágrimas porque estava via fone, a tristeza foi geral. Desejei-lhes os meus sentimentos e me despedi.

Sentimento de culpa entre os amigos pelas palavras ditas sobre ele no restaurante, até hoje nos vem na lembrança, sabemos que foi tudo brincadeira (força de expressão), mas dói; que nos sirva de lição. Faz mais de 3 anos que isto ocorreu, eu e meus amigos nunca mais fomos ao restaurante, o qual frequentávamos quase todas as semanas. Pensei: Como a vida é ingrata, como dizia meu pai: "Para morrer basta estar vivo". Essas são as surpresas que a vida nos reserva…

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