“Coooompra rôpa! Cooooopmra rôpa”! Lá vinha o senhor alto, de costas encurvadas, passando pela Rua Senador Felício dos Santos, na Aclimação, semanalmente. <br><br>“Óooooooovus! Óoooooovus”! Essa era a chamada da velha portuguesa, toda de preto, mas com um brinco em filigrana de ouro. Na cabeça, o equilíbrio da cesta com ovos. Minha mãe nunca comprou da velha senhora. Preferia os da feira. <br><br>E para as compras de emergência, legumes, verduras e frutas, tinha a carroça do Seu José não! O nome não era José. José era o verdureiro que seguiu ao que me refiro. Rosto fino e encovado, parecia guardar uma tristeza eterna. Alguma coisa de bom meu pai fez ao homem. Todo o Natal, até que se soube de sua morte, levava dois pares de meia de presente. Vinha com balança, acredito que era cobre, mas não sei que metal era. Rapidamente era montada na parte traseira da carroça, com um gancho. Rigor de peso, nenhum. Talvez por isso o chorinho, sempre um maço de salsinha, um maço de rabanete. Mas o cavalo xucro era legal. A criançada podia pegar na carroça restos de folhas e dar ao animal, que comia, mexia o focinho e babava. <br><br>Pela rua, no final da década de 60 e início de 70, outras grandes figuras desfilavam. O padeiro, o açougueiro que trazia a carne em casa, o garoto da mercearia. Talvez, em detalhes, em algum dia me venham à memória.<br><br>E-mail: [email protected]