Quem viu, viu. Quem nunca viu, vai ficar sem ver. Pelo progresso e mudança de hábitos, essa frase caberia a um sem número de coisas, como, por exemplo, os acidentes de trânsito envolvendo bondes ou carroças movidas a tração animal, pelas ruas de São Paulo.
Mas em compensação, também pela mudança de hábitos, novos tipos de acidentes passaram a ocorrer na cidade.
Agora são frequentes esbarrões, tropeções e até tombos de pessoas que caminham enquanto lêem ou enviam mensagens de texto pelo celular. Um amigo viu uma moça rolar pela escadaria da passagem sob a Rua Xavier de Toledo. Ele disse que ainda gritou para alertá-la, mas ela estava muito entretida teclando seu papo virtual.
Também está se tornando comum, em locais onde há aglomeração de pedestres (ou seja, na cidade inteira) e alguém passa puxando uma mala com rodinhas. Uma pessoa um pouco mais apressada, ou distraída, será uma forte candidata a levar um tombo ou pelo menos um tropeção.
Sem esquecer os atropelamentos por motos e bicicletas. Antes que alguém diga que isso não é mais novidade, esclareço que me refiro aos que agora acontecem sobre as calçadas de pedestres, que é por onde muitos condutores desses veículos passaram a trafegar para fugir de congestionamentos. Já soube de vários casos.
Mas a meu ver, o campeão de ocorrências são os acidentes causados por mochilas. Quem já não foi abalroado por alguém que esquece que está carregando nas costas uma daquelas onde caberia até um fogão de quatro bocas? Mesmo tentando desviar, não tem um dia que eu não leve pelo menos dois trancos.
Acho que aqueles avisos do metrô, que recomendam que as mochilas sejam carregadas nas mãos, deveriam também ser feitos em elevadores, restaurantes e mercados. Não sabe o que esta perdendo quem nunca teve a "sorte" encontrar na fila de um restaurante de comida a quilo uma pessoa com uma mochila nas costas.
Ou talvez devesse se de criar uma legislação para regular o uso de mochilas em locais públicos, com exigência de carteira de habilitação, multas pelo uso indevido e tudo mais.
Foi também um acidente com uma mochila, que pode servir de alerta para outras pessoas, que me deu a ideia para esse texto:
Um rapaz caminhava pela calçada da Rua Carmo Cinta, no Bom Retiro, quando um ao passar entre o poste e o meio fio (guia), teve a sua mochila enganchada no espelho de uma van que passava. Ele foi arrastado por alguns metros e se machucou bastante. O alerta vale porque ali ninguém cometeu nenhuma imprudência, o rapaz estava na caçada, e a van trafegava pela rua, dentro da velocidade permitida.
Já li que os primeiros acidentes envolvendo automóveis, no início do Século XX, causaram muita surpresa e curiosidade. Talvez, no futuro, ocorram acidentes com cadeiras voadoras com propulsão a jato, patinetes que flutuam sobre o solo e até com helicópteros individuais, tipo uma mochila (tinha que ser) com hélices, mas duvido que em São Paulo alguém ainda vá se surpreender com alguma coisa daqui pra frente.
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