A vendinha do Seu João ficava em frente à minha casa, lugar simples, mas que atraía todas as crianças do bairro pela quantidade de guloseimas que lá havia.
Aqueles anéis que vinham numa caixinha junto com um doce, pé-de-moleque fresquinho, doce de batata em forma de coração (bem como o suspiro cor de rosa), guarda-chuva de chocolate e cigarrinho também de chocolate. Paçoca, doce de leite em pacotinho, maria-mole, geleia de mocotó, bananinha, jujuba, drops Dulcora, pirulito… E também havia as balas que ficavam dentro do baleiro que girava como um caleidoscópio para espanto dos olhares infantis.
Na vendinha também se moia café na hora. O leite vinha no litro de vidro, os cereais eram vendidos à granel, além de cera Parquetina, Detergente ODD, Naftalina, rodo, vassoura, artigos escolares, lápis de cor pequenos (que logo gastavam), apontador, régua, papel almaço… E tinha algo que deixava a garotada mais excitada: a Guaraná Caçulinha e também a Groselha Milani, personagens assíduas das festinhas de aniversário, além da Seven Up, Grapete (“quem bebe, repete!”).
Tudo isso era comprado com a milagrosa caderneta que, no final do mês, era paga pelo papai, que ficava louco de ver tanta compra inútil.
Ah! Não posso esquecer de dizer que tinha, claro, os "bebuns" conhecidos do bairro: Charutinho, Zé Bombeiro, Pajé, o Siriri… Esses, quando entravam na venda, as crianças todas corriam de medo, mas todos eram do bem.
Não posso deixar de citar que o Seu João tinha um mau humor terrível, principalmente com as crianças. Ele é vivo até hoje e mora na mesma vendinha.
São coisas que se cravam na memória para nunca mais esquecer.
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