A velha Freguesia do Ó – Como era bom viver por lá!

A Freguesia do Ó na década de 40 e 50 era um lugar privilegiado para se viver, ainda não havia cinema, nem televisão, nem mesmo ônibus direto até a cidade, na época eles iam só até o Largo da Pompéia, esquina com a atual Francisco Matarazzo e Turiassú, pescávamos no Tietê e em seus afluentes, e ali perto da ponte dos Remédios, na foz do Rio Pinheiros, cheguei a pegar mandi, bagre e traíra de meio quilo.
Nadávamos em quase todas as lagoas que existiam, pois o Tietê era margeado por lagoas e Campos de Futebol, chamados de Campo de Várzea. Perto da Freguesia havia o poderoso 7 de Setembro, o Piqueri, o Santa Marina e Vários campos do Nacional A.C.

Lembro-me que havia muitos jovens, o Zelito, Darcy, os meus vizinhos Wilson, Zeca, Aguinaldo (gatão), sua irmã Cecília. O Eloy e o Tonhão, mais o seu primo Zé Garmolecada. Na época a prefeitura fez jardim público exatamente nos lugares que serviam de campinho para as peladas da meninada, para desespero dos moradores cia. Pedro e Cláudio Faragello. Também os meus queridos vizinhos Beto e Mário, cuja família maravilhosa foi alvo de minhas imitações e humor precoce. Havia tantos outros: o Ciço Cearense o Nené pintado, o Zé Galinha, O Dede e o Ercy, filhos do seu Caporto, o Bêbado Glicério, o Bar do Salay, a Famosa pizzaria do Bruno, o velho Gitema na Paula Ferreira, o Pe. José Colaço e até do Jardineiro, vítimas das gozações das casas do Largo da Matriz Nova, que viam-se obrigados a trocar suas vidraças quase que semanalmente.

Acho que até hoje me lembro dos nomes das famílias que moravam nesse local: a Família da Arminda, Júlia, Ondina, Clotilde, Ivo e Júlio (prédio este que no passado serviu com Grupo Escolar e depois virou Ambulatório Médico). Depois a Casa do Sr.Carlos e Dna. Anésia, a minha casa nº 92, a casa do Sílvio Padeiro e Dona Ana, casa de Dona Isaura e Seu Rossi, casa do Sr. Pio e suas filhas Verônica e Edwiges (amigas de minha Irmã Jurema, casa de dona Liris e Dona Evanir, que também era escola de Corte e Costura. Casa do Sr. Luiz Simões e Dona Laura, onde também morava uma santa Mulher mas que vivia encrencando com toda a molecada: a Dona Esperança, e como esperança é a ultima que morre eu acho que ela deve estar viva até hoje (kkk), depois a casa do Jair Vira Vira, a casa da Bela. Zolma e Zuleica (amigas de minhas Irmãs Jurema e Ondina), depois a casa do Valter Juper e sua irmã Elza, depois a Casa do amigo Celso Corradine, e por fim a casa do Pereirinha, filho da Bordadeira.
A maioria dessas casas (até hoje do jeitinho que eram há 100 anos) pertenciam a família de Dona Mimi que era uma bela senhora descendente do Bandeirantes Manoel Preto (o fundador do Bairro). Moravam suas duas filhas Jurema e Clotilde, mais o filho e também meu amigo Nereu. A rua mais conhecida era a Rua do Macaquinho devido a um macaquinho pornográfico que vivia no quintal de uma casa. Nessa rua ficava a Chácara do Veiga ou Rogê onde aconteceu essa minha história.
A chácara estava em processo de loteamento e seu velho casarão, que depois virou Posto do Velho Sandu, servia de parque para as brincadeiras de esconde-esconde da molecada,
Era um casarão enorme com muitos quartos e salas, e um grande porão. Nesse dia eu e vários amigos brincávamos de esconde-esconde quando, se não me engano de parceria com meu grande amigo o Ado (Gatão), resolvi fingir que havia caído do telhado de uma altura de perto de 6 a 7 metros.
Pegamos um latão de entulhos e cacos de telhas, Mércurio cromo e papel carbono roxo e simulei a queda. Espalhamos o entulho e os cacos de telhas, esfreguei um pouco de papel carbono pelo corpo e coloquei algumas gotas de Mércurio cromo em minha boca, e fiquei babando aquela saliva vermelha, estava com os meus 12 anos.
Resultado: pânico entre a garotada: “Nossa o Tutu (era esse meu apelido) caiu vamos levá-lo para o hospital”.
Começaram a me carregar, subindo uma ladeira, quando já havíamos caminhado perto de 50 metros eu e o Ado caímos na gargalhada. Quase apanhei do grupo.
Bons tempos aquela infância, não se falava em drogas, seqüestro, assalto, assassinatos, e acredito que até que os políticos roubavam menos. Nessa época os meninos de minha idade, tinham a liberdade de andar sozinhos sem a tutela dos pais por todo o bairro ou ir até a cidade, assistir um filminho no Cine Avenida, Art Palácio ou Cine Metro ver o festival Tom e Jerry, que era uma maravilha. Os filhos ainda não matavam os pais, e os pais ainda não atiravam seus filhos pela janela. Ah!… Nas escolas públicas havia aulas de religião e os pais ensinavam os filhos a respeitar os mais velhos. Que saudades do ônibus 67 – Freguesia ao Paissandú, éramos felizes e acho que no fundo todos sabiam.

GOSTARIA MUITO QUE TODOS OS QUE VIVERAM NESSA ÉPOCA ENTRASSEM EM CONTATO ENRIQUECENDO ESSA HISTORIA COM SUA PARTICIPAÇÃO

Tutu – Arthur Miranda

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