O balão vai subindo, vai caindo a garoa
O céu é tão lindo e a noite é tão boa
São João, São João,
Acende a fogueira no meu coração.
Ano de 1954, festa de São João, todos amigos reunidos, ao redor da fogueira, cantando, alegria geral, balões, pipocas, batata doce, quentão, bombinhas etc.
Meu pai tinha um empório em frente ao Clube Banespa, onde morávamos com o xodó da família e de toda a molecada do bairro, nosso belo cão de nome Leão (só nome de bravo). A diversão da garotada, entre sete e oito anos, era ir ao empório, todas as tardes, buscar o cão, para subir no lombo do animal e sair passeando pelas ruas. A gurizada toda ia atrás, todos queriam dar uma voltinha em cima do Leão, descia um, subia outro, isso todos os dias. Minha mãe não gostava, mas não tinha jeito, fazer o quê? Pois era um cão de porte avantajado e muito grande.
Após o passeio, levávamos o Leão para dar aquele banho de esguicho, ele adorava.
Naquela época, todos os anos, o Clube Banespa comemorava o dia de São João com grandes salvas de fogos de artifícios, rojões, bombas, durante vários minutos, um barulho de fogos ensurdecedor. Neste dia, a minha saudosa e querida mãe, que Deus a tenha, não percebeu que nosso cão havia ficado para fora. Acontece que nosso Leão tinha pavor até de palito de fósforo, nem precisava acender, era só mostrar, que ficava tremendo, quanto mais com barulho de bombas e rojões.
Ao amanhecer, minha mãe encontrou encostado junto à porta nosso Leão, com as unhas ensanguentadas e a porta toda arranhada. Ali jaz um inocente, que nem a luz do sol viu, morreu de tristeza, durante uma escuridão de alegria.
Na manhã seguinte, a molecada, sem ainda entender, se reuniram ao redor da fogueira, ainda em cinzas, choravam todos pela morte do Leãozinho, como se fosse um de nossos irmãos. Meu pai não abriu o empório naquele dia.
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