Era o ano de 1958, eu havia completado 11 anos de idade. Era uma linda tarde de um domingo de junho e a Seleção Brasileira acabava de sagrar campeã mundial de futebol na Suécia.
Ouvimos o jogo pela Rádio Bandeirantes na casa de um tio no bairro do Brás, em São Paulo, e tão logo a partida terminou, nos dirigimos para o centro da cidade para comemorar a vitória. Já naquele tempo, ou talvez ali, tenha começado o que viria a se tornar rotina dali em diante: fazer as comemorações de campeonatos em locais públicos. Naquela época a festa foi no Vale do Anhangabaú.
Meu pai tinha carro, um Lincoln 49, preto, um carrão para aqueles tempos. Em cada um dos para-lamas ia uma prima minha, meninas de grande beleza. Dentro do carro havia cerca de dez pessoas. E lá fomos nós, desfilar pela cidade que fazia a festa do campeonato! Dos alto-falantes vinha a música tão tocada na época: "A taça do mundo é nossa, com brasileiro não há quem possa!".
Meu pai estacionou o carro e todos nós fomos para uma sacada que vinha da Rua Libero Badaró e dava para o vale. Lá, encontramos com o saudoso Vicente Leporace, que também acompanhava aquela enorme folia.
Era uma comemoração bem diferente das que ocorrem hoje em dia. A alegria era geral: chuva de papéis picados e serpentinas eram atiradas do alto do Viaduto do Chá.
Para mim, foi uma das mais belas festas que vi acontecer em São Paulo, só perdendo para a comemoração do IV Centenário.
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