A sirene do meio dia

A meu pai, Seu Joanin, de saudosa memória, operário aqui reverenciado por seu trabalho na construção da Fábrica de Linhas Corrente, Vila Ema.

A sirene do meio-dia
Me recorda quando eu ia
Com minha irmã todo dia
O almoço pro meu pai levar.

Eu era pequenininha…
E ainda as lembranças teimam
Em meu cérebro aflorar.

Havia um caminho de ciprestes
Por onde devíamos passar…

Naquele caldeirãozinho
De alumínio, a transportar
O almoço que minha mãe fazia
Tinha amor e muito mais.

Ele, então, em frente à fábrica
Sempre a nos esperar
Pra nosso deleite trazia
Deliciosos bolinhos de bacalhau.

Almoçava … voltava ao trabalho…

Com seu lápis de carpinteiro
Ele passava o dia inteiro
Retas e curvas a traçar.

E quando o dia terminava
Meu pai em casa chegava
Para, enfim, descansar.

Esses momentos tão mágicos
Da minha infância vivo a recordar
Tivemos uma vida simples
Com muito amor a compartilhar.

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