A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo

Um dia desses fui almoçar no Via Castelli, próximo a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Como dispunha de tempo, decidi matar as saudades e passear pelo prédio da "Santa" (forma carinhosa como meu filho Felipe se referia a Faculdade nos tempos em que lá cursava medicina).

O prédio imponente, com seus tijolos à vista e seus magníficos corredores encimados por arcos góticos, fazendo lembrar um convento da idade média. Tudo impecavelmente limpo. Alunos, professores, funcionários e pacientes, agitando e dando vida ao ambiente. Passei pela "Toca", tomei um café e lembrei que meu filho dizia que os calouros só poderiam frequentá-lo após o “13 de Maio".

Anos atrás, Felipe chegou a me apresentar a uma senhora de idade, que distribuía panfletos na porta de entrada, diziam que ela era uma das últimas crianças remanescentes da "roda dos enjeitados". Tive a oportunidade de conhecer a tal "roda" que se encontra no museu da Faculdade. Lá eram deixadas às crianças recém nascidas que algumas mães em momento de desespero depositavam seus bebês (muitas vezes com bilhetes explicando o motivo ou dando orientações a respeito do filho) e giravam a roda que dava abertura para dentro do prédio, onde irmãs caridosas as acolhiam e as destinavam para a adoção.

Quando jovem cogitei cursar medicina e tenho 3 conhecidos que pertenceram a primeira turma da Santa (1963).

A Santa Casa merece o nosso total reconhecimento, como uma instituição secular dedicada a aliviar o sofrimento dos necessitados, como uma instituição de ensino e pesquisa e acima de tudo formada por pessoas caridosas e humanas.

Cada tijolo aparente, simboliza e eterniza um benfeitor, muitas vezes anônimo, mas generoso, deixando um exemplo a ser seguido.

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