A saga dos estudantes nos últimos 50 anos

Sou de uma época em que para entrar para uma universidade, mais ou menos no fim dos anos 1970, era muito difícil. A quantidade de faculdades era mínima, não havia muita opção e nenhuma facilidade em termos de custo e distância. Na zona Sul, por exemplo, só havia a OSEC, atual UNISA, por sinal particular.
 
Uma das únicas opções de escola de nível superior era a Universidade de São Paulo, USP. Era a mais procurada e disputada. Tínhamos os exames divididos pela USP em MAPOFEI, CESCEA e CESCEM, cada um deles dirigida para uma determinada ciência.
 
O MAPOFEI escolhia candidatos para ciências exatas e para as escolas como a FEI (faculdade de engenharia Industrial em São Bernardo do Campo), a Politécnica da USP e Faculdade Mauá. 
 
Na época, 1969, no Parque D. Pedro II e depois em São Bernardo do Campo, criaram vestibulares da área de Exatas (questões discursivas). Foi por essa área que optei e prestei vestibular em 1976, com provas em múltipla escolha e em única fase.
 
CESCEA escolhia candidato para ciências humanas. O vestibular foi criado em 1967 em São Paulo, também com testes.
 
CESCEM escolhia candidato para ciências médicas e biológicas foi criado em 1964, vestibular da área de Biológicas em São Paulo; utilização de testes de múltipla-escolha. – Escola Paulista de Medicina (hoje UNIFESP) introduz testes em provas internas (pelo prof. Walter Leser – que viria depois a fundar o CESCEM), todas elas em fase única.
Os cursos regulares como colegial e os cursinhos já preparavam os alunos para uma dessas ciências, principalmente no terceiro colegial.
 
Nos casos dos cursinhos que preparavam alunos para as faculdades, tínhamos os mais tradicionais como Objetivo, Etapa, Anglo Latino, Curso da Poli, CPV, Universitário, Med e Uni-técnico.
 
As aulas dos cursinhos, como ocorre até os dias de hoje, eram dadas em uma dinâmica muito grande, até teatral e tínhamos conhecimento de muitos itens dos currículos que não eram ensinados na escola publica. 
 
Em 1976, a USP unifica os vestibulares e cria a FUVEST (exame em duas fases: a primeira com testes e a segunda com questões dissertativas), prevalecendo até hoje.
 
Em 1977, a FUVEST passa a realizar os exames, além da USP, também da Unicamp e UNESP, e em 1981, a UNESP passa a realizar separadamente seus exames.
 
A partir dos anos 2000, inicia-se a expansão das faculdades. Com uma canetada do governo federal, abrem-se centenas de faculdades pelo Brasil e dezenas de facilidade de ingresso em curso superior como PROUNI, ENEM, Bolsas, Cotas para índios, negros, pardos, pobres. 
 
Em 2009, foi criado o SISU pelo ministério da Educação, mais um complicador na vida do estudante, juntando aos outros itens um depende do outro e o outro de outro, deixando o estudante desnorteado.
 
Em 1999, foi criado o FIES, Fundo Estudantil, para financiar os estudos aos alunos carentes financeiramente. Este fundo veio em substituição ao CE, Crédito Educativo, de 1976.
 
Cria-se, a partir da década de 1990, dezenas de cursos e faculdades de curta duração, cerca de dois anos, com matérias específicas para um emprego imediato e dando ensejo para quem quiser fazer complementação plena em faculdade integral.
 
Com elas, também expandiram as escolas técnicas em profusão tanto públicas como particulares, com ênfase em São Paulo às ETECs – que por sinal de ótimo nível e emprego praticamente certo, onde o curso é dado em conjunto ou separadamente do antigo colegial.
 
Vale salientar que a primeira escola de nível superior de curta duração a se instalar no Brasil, foi em São Paulo. Com a mudança da Politécnica da USP, em 1973, para o campus no bairro de Butantã, aquele prédio centenário foi ocupado pela FATEC, com cursos de tecnologia de alta capacitação especifica de três anos de duração. A partir dos anos 2000 ela divide o campus com a ETEC central.
 
As faculdades particulares sempre foram problema, no que diz respeito à parte financeira, para a maioria dos estudantes. Tínhamos como as mais conhecidas e de gabarito a Universidade Mackenzie, PUC, FEI e algumas no interior do Estado.
 
Para entrar no curso ginasial após o curso primário, desde a década de 1930, era obrigatório curso e exame de admissão ao ginásio que perdurou até o ano de 1971. Era como se fosse um quinto ano primário.
Após, passar no exame de admissão cursava-se o curso ginasial de quatro anos. As moças iam para o curso de corte e costura ou curso ginasial, depois as que queriam ser professoras faziam o curso normal ao invés de científico, conhecidas como normalista, que deu até uma musica na voz de Nelson Gonçalves. E os rapazes iam fazer o curso cientifico que foi até os anos de 1966, aproximadamente.
 
A partir dessa data o curso científico passou a se chamar Colegial com os mesmo três anos.
 
Por volta dos anos 1980, denominou-se curso primário e ginasial de 1º grau de oito anos e o curso de 2º grau substituindo o nome colegial.
 
Já nos anos 2000, o curso de 1º grau de curso fundamental e o curso de 2º grau de médio.
 
E nos anos 2012, curso continua com os mesmo nomes porém com nove anos de duração.
 
Até os anos 1980, aproximadamente, existia os tradicionais cursos de madureza para aquele que por um motivo ou outro desistia de estudar e quando resolvia voltar fazia a Madureza, cursos condensados de ginasial e colegial em um a dois anos ou a critério do dono do curso. Para os mais audaciosos: cursos condensados em três a seis meses.
 
Os exames eram realizados pelo governo, todo final de ano em local amplo de forma coletiva e individualizado por estado. Cada estado fazia sua prova e tinha alguns que o exame era mais fácil que outro e isso fazia com que muitos estudantes procurassem o Estado onde a prova era mais fácil, chegava-se a lotar um ginásio de esportes para tal prova.
 
Para os que nunca estudaram ou sabiam pouco foi criado no governo militar de 1964, o Mobral, Movimento Brasileiro de Educação, depois veio o Projeto EDUCAR, e hoje em dia mudaram para EJA, Ensino para Jovens e Adultos, porém com a vantagem de ser em escolas normais do Estado.
 
Em contra partida, cria-se em São Paulo, para derrocada da educação, mas facilidade para os alunos, criando facilidade para depois sofrer as dificuldades do sistema. A famigerada aprovação automática ou progressão continuada, uma nova classe acadêmica que aumentou o contingente dos alfabetizados funcionais.
 
Essa memória não podia deixar de ser lembrada, uma devido ao que já passamos e sem muita alternativa de escolas boas, e que nos dias de hoje há uma variedade enorme de escolas de qualidade e em todas as regiões há pelo menos uma faculdade para todos os gostos e gastos.