Demorei um pouco, mas resolvi continuar contando sobre a rua l e do bairro da Cidade Dutra que fazem parte da minha infância. Com o tempo a amizades ente os moradores da rua ficaram mais próximas já que a grande a maioria do moradores ou era funcionário da Light ou da CMTC.
Ainda não tínhamos água encanada, nos servíamos de uma bica e da boa vontade do corpo de bombeiros — desde aquela época esta corporação era vista como nossos heróis.
Lembro quando a DAEE (Sabesp) instalou água encanada em nossa rua. Foi uma festança ver aquela buracada, mas valeu a pena todo esse sacrifício, pois podíamos estrear as banheiras que faziam parte do conjunto de casas; que luxo.
Com o desenvolvimento do bairro e aumento na população as casas precisaram ser alteradas. Quase todas passaram a ter muro como, como medida de segurança, e cada família começava a alterar a estrutura das casas, aumentando os dormitórios no meu caso. Meu pai alterou o tamanho da nossa cozinha como também e construiu dois quartinhos na parte traseira da casa, onde havia um galinheiro (quanta saudade).
Como o bairro tinha uma quantidade grande de funcionários da – Light e da CMTC — éramos atendidos por um sistema de transporte razoável, formado de duas linhas, sendo que uma servia até Santo Amaro e outra até Anhangabaú. Cheguei a andar no papa-filas. Eu e meu irmão Renato gostávamos de viajar perto do motorista. Lembro-me que algumas vezes ele me disse que gostaria de ser motorista de ônibus quando fosse grande.
O bairro era carente de tudo. Chegamos a receber o leite de um senhor que vinha de carrocinha entregar de casa em casa. Com o tempo passamos a ter um mercado da Prefeitura, do tipo municipal. Tinha-mos também um cinema no bairro e um posto medico do INPS. Aos poucos foram aparecendo as vendinhas e padarias. Na minha rua havia uma vendinha que atendia as necessidades de emergência, pois como meu pai era funcionário da Light, fazia as compras do mês por meio da Cooperativa dos Funcionários. Para vocês terem uma idéia, quando o caminhão chegava era uma festa. Ele entregava em quase todas as casas da rua — e eu ficava torcendo para que viesse bastante refrigerantes e outras guloseimas.
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