A professorinha do Belenzinho

Adelia Gaby morava na Rua Herval, 843, Belenzinho, na residência de seus pais, Adélia Gonçalves da Silva Gaby e do Coronel João Gaby. Em 1914, com dezoito anos de idade, tirou o diploma de professora na Escola "Caetano de Campos", que se localizava na Praça da República, em São Paulo.

Foi bem difícil sua vida de professora. Foi nomeada em abril de 1915, para lecionar em Santo Amaro, distante uma hora e meia do centro de Santo Amaro. Ia a cavalo, montada em selião, acompanhada por um rapazinho, determinado pelo Coronel João Gaby. Começava ali o calvário da Professorinha do Belenzinho. Toda segunda-feira e voltava no sábado, para o convívio da família no Belenzinho. Hospedava-se em casa de família humilde, onde faltava todo o conforto, precisando levar tudo do que necessitasse. Lá ficou por três anos, com bastante sacrifício.

Logo depois foi nomeada para lecionar em Descalvado, veio comissionada para inaugurar a primeira Escola da Vila Maria, em São Paulo, onde ficou por um ano, voltando para Descalvado, onde ficou até 1924.

Em 1925, foi nomeada por concurso para um Grupo Escolar no bairro do Itaim, na Rua Joaquim Floriano, distante do ponto final dos ônibus e bonde, andava por quinze minutos a pé, nos dias de chuva, ia de carona no carro do padeiro. Lá permaneceu um ano, até ser transferida para o Grupo Escolar "Amadeu Amaral", no bairro do Belém, onde ficou até sua aposentadoria, em 1945.

Aposentada, foi trabalhar na Gazeta, junto ao Movimento do "Ouro de São Paulo para o Brasil", onde foi laureada com uma medalha.

Trabalhou algum tempo na Cruz Vermelha, onde se relacionou com um grupo de Senhoras, para a fundação da "Cruzada Assistencial Paulista", que tinha como objetivo socorrer os idosos, onde prestou serviços por vinte anos, ocupando o cargo de secretária.

O mesmo grupo de Senhoras fundará a Casa do Vovô, onde abrigavam vários idosos. A referida casa tomou o nome da Presidente "D. Antonietta Ferraz Diniz", que foi incansável ao lado da diretoria e associados para a construção da Casa do Vovô.

Na Revolução Constitucionalista de 1932, foi nomeada Presidente do 1º Núcleo instalado no bairro do Belém, para a confecção de fardas e outras peças para os pracinhas que galhardamente seguiram para as trincheiras. Esse grupo foi organizado pela "Cruzada Pró Infância", que conseguiu fundar um centro em cada bairro de São Paulo.

Foi laureada com três medalhas da Revolução de 1932, sendo a última no cinquentenário. Sempre presente nos desfiles de 9 de julho, juntamente com seu irmão Herculano Gaby, também pracinha de 32, junto ao Obelisco no Ibirapuera. Foi diplomada Cidadã Paulistana e condecorada com a medalha da "Cruzada Assistencial Paulista" CRUZAP. Trabalhou na Oficina de Santa Rita até setembro de 1986, com 90 anos.

Não se distanciou do querido Belenzinho, onde repousa no túmulo da família do Cel. João Gaby, no Cemitério da Quarta Parada, fim da jornada entre nós da "Professorinha do Belenzinho".

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