A "Permanente"

<br>Andar na moda não é fácil. As mulheres sabem disso. Na década de quarenta, por exemplo, a moda para os cabelos era encrespamento. O procedimento todo era mais ou menos assim: ia-se ao salão de cabeleireiros, onde cortavam os cabelos, passava-se um líquido de cheiro fortíssimo, enrolava-os em "bigoudis". O passo seguinte era: Colocar a pessoa debaixo de uma máquina elétrica, conectando os fios elétricos aos "bigoudis" e após algumas horas, saia-se do local com os cabelos totalmente modificados.<br><br>Foi dessa maneira, que aos 5 anos, em 1945, fui submetida a essa aparente tortura. Como tenho cabelos muito lisos e abundantes, faziam tranças nos meus cabelos quando era criança. Mas um dia, ao ouvir um comentário feito por uma vizinha, a espanhola Dona Carmelita, que disse que eu parecia uma "gata lambida", com aquele penteado, uma das minhas irmãs, convenceu minha mãe, a consentir que eu fizesse a tal "permanente". Disse que eu ficaria melhor com cabelos encrespados. <br><br>Naquela época, o modelo vinha de Shirley Temple, menina prodígio do cinema americano, que fazia sucesso nas telas cinematográficas, com os seus cabelos cacheados. Assim sendo, levaram-me ao um salão de beleza, que ficava ao lado da minha residência, na Av. Rebouças. Lá chegando, sentaram-me em uma cadeira adaptada e foi feito o sistema acima descrito.<br><br>Algumas horas depois, a "permanente" ficou pronta. Confesso que não gostei! Achei ridículo o meu cabelo e, além do cheiro do líquido desagradável, a impressão que eu tinha era de que estava com o couro cabeludo levemente queimado. Minhas irmãs procuravam agradar-me, dizendo que meu cabelo ficou melhor, chegando a dizer que não parecia mais uma "gata lambida", foi então que eu argumentei: Agora a Dona Carmelita vai dizer que eu pareço uma "gata arrepiada"! <br><br>Durava pouco o encrespamento, alguns meses após, com o crescimento, os cabelos tornavam-se lisos novamente. Mas como era moda, a maioria voltava àquele suplício. Nos dias de hoje o que não falta é a coragem da maioria para submeter-se a moda. Mesmos à custa de algum sofrimento. O Importante é estar dentro dela. “O resto é resto!”<br><br><br><br>E-mail: [email protected]