A paixão pelo nosso futebol, Palmeiras, Criciúma….

Gosto de futebol, desde a prática ao acompanhamento de grandes times e de torcedores. Vejo com admiração a torcida se manifestar, quando são do Corinthians ou do Palmeiras, pela rivalidade. E também do Santos e do São Paulo F. C.

Desde guri, o campo da LARM – Liga Atlética da Região Mineira – ficava há uns 500 metros de minha casa, no bairro Pio Correa, o estádio era cercado de tábuas. Por cima da cerca ou por baixo, cavando o solo, encontrávamos passagem para ver os jogos. Nesse tempo encantava-me ver o goleiro Neri do Comerciário F.C., dar seus “voos” sensacionais, com muito estilo. Camisa, calção, meias pretas e luvas era a vestimenta dos goleiros. Número 1 as costas e o distintivo do clube no peito.

Perfilam-se aí muito bons jogadores, um deles chamado Fumanxú, do mesmo time do Neri, irmão do Tenente que jogou pelo São Paulo, que iniciou sua carreira no Próspera e depois se consagrou no Metropol F.C. Xú era ponta direita, veloz. Ao final dos treinos, que também eram realizados nesse campo da LARM, Xú, certa vez, me ensinou a fazer "balõezinhos". Consistia em tocar bola por baixo, com efeito, para que ela retornasse para trás, para novo toque, ficando a bola aos seus domínios. Lição dada, lição aprendida.

Mais tarde, diante da amizade formada, fui convidado por ele a treinar no Juvenil do Comerciário F.C, agora com estádio novo onde é o atual campo do Criciúma F.C., o Heriberto Hülse, e representante catarinense da série "A" do brasileiro.

Foi nesse palco, e fazendo parte da história do clube, edição dos 25 anos de vida do clube, onde mostrei minhas habilidades futebolísticas, sendo colega de treino dos jogadores: Valdomiro do Inter de Porto-Alegre; Nilzo, que jogou no Santos F.C. ao lado de Pelé; Hélio ponta direita da Portuguesa de Desportos.

Treinávamos contra o time principal. Uma vez, o técnico do time Zezé, José Ferreira Vaz, que mais tarde foi treinador do Avaí F.C, escalou-me no time principal.

As rádios de Criciúma divulgaram, à noite, a escalação do time comigo fazendo parte do grupo principal. Seria a minha oportunidade? Zezé era meu conhecido, foi também ex-goleiro profissional do Atlético Operário, time de tradição no futebol do sul e que quando iniciou sua carreira de técnico tivemos alguns contatos.

Dessa forma exponho minha paixão pelo futebol e a experiência tida nos gramados, vendo grandes times jogar, entre eles os times da cidade de São Paulo, do Santos e os times do RJ: Vasco, Botafogo, Fluminense e Flamengo entre outros grandes clubes: Bangu, Madureira, Olaria, São Cristovão.

Também havia grandes rivalidades, claro em proporção inferior as grandes torcidas, mas torcida apaixonada não se mede pelo tamanho, mas sim pela paixão, devoção, carinho e amor.

Devido as minhas habilidades é que quando fui para São Paulo ambicionava ser um jogador profissional, posição que não tive maiores chances de vencer, atribuo a isso à falta de um empresário, ou “tutor”, que me protegesse. Mesmo assim, atuei em um grupo de jogadores juvenis, chegando à marca de 54 partidas invictas, nosso time era bom. Daí surgiu um número bom de profissionais, todos eles conhecidos e ainda meus amigos. Em jogos preliminares, jogávamos antes dos jogos profissionais, fazendo a chamada partida de fundo.

Era costume do nosso time e adversários da região contratarem jogadores vindos de Porto Alegre, do Grêmio e do Inter, nós pratas da casa, não tínhamos lá grandes chances nessa política de valorização. Assim mesmo éramos valorizados pela nossa torcida e pelos fãs que nos conheciam com admiração recíproca.

Quis o destino que não fosse um profissional de carreira no futebol. Não faz mal, tivemos chances, mas não sabemos por si mesmos ganhar a oportunidade, rara, mas gloriosa por ter acontecido. Não sei se o texto será publicado no site. Apreciaria muito contar essa história, aos torcedores de São Paulo minha cidade, reconhecendo como dizem meus conterrâneos, é time pequeno, varzeano, para quem sabe a paixão é igual, claro nas devidas proporções.

Se mencionarmos jogadores como Mengálvio, ex-Santos e seleção brasileira; Valdomiro, Inter e seleção; Wanderley, goleiro do SP; Tenente, lateral do SP; Toninho, centroavante Palmeirense; Zenon, Guarani, Corinthians e seleção brasileira; Lico, ex-Flamengo, campeão do mundo; Valdo, Grêmio e seleção brasileira; e outros jogadores, marcando épocas em grandes times brasileiros, demonstram o potencial catarinense em nossos gramados brasileiros, o que nos permite em igualdade de condições, contar nossas próprias histórias.

Fumanxú, já falecido, foi o meu mentor. Com ele vesti o uniforme do clube, a faixa de campeão juvenil em minha cidade e região. Quem desejar ver as fotos está à disposição, claro, irão me dizer que é time pequeno, não faz mal, quem está se valorizando somos nós mesmos. E temos nosso orgulho de representar de alguma maneira a nossa história e tradição. Não foi o Criciúma campeão da Copa do Brasil em 1991, tão festejada pelo grande Palmeiras em 2012?

Confira a lista dos campeões, claro se comparem os dois times, um é grande outro é pequeno, o pequeno está na "B" e o grande na "A", “ah” é o contrário, faz parte!