Com um lindo mar de árvores verdes, exposições que abrangem nossos conhecimentos culturais e espaços abertos para se desapegar do dia-a-dia apressado dos paulistanos, o Parque do Ibirapuera é um importante ponto turístico de São Paulo. Porém, esse parque possui um valor simbólico dentro de mim.
Ao mergulhar em minhas lembranças mais distantes, chega à minha mente a imagem de uma pequena garota sentada, sem fazer um movimento sequer, numa bicicleta em meio às árvores do parque. Olhava em minha volta e via rostos com sorrisos estampados, o que fazia com que o medo de esbarrar-me com o chão ao pedalar em minha bicicleta pela primeira vez fosse transformado em uma ansiedade em poder me sentir leve como os pássaros que por ali voavam. Pedalei, minha bicicleta parecia conduzir-se sozinha e, então, me desequilibrei e acabei de encontro ao chão, envolvida por folhas secas de outono que ali caíram. Não me machuquei; apenas caí na risada ao me encontrar deitada em meio àquelas folhas marrons, laranjas, amarelas e vermelhas. Li nas expressões de meus pais a felicidade que eu transmitia a eles.
Passaram-se alguns anos e o Parque do Ibirapuera não fazia mais parte de meus domingos. Frequentava-o apenas para ir às exposições obrigatórias da escola, que ocorriam normalmente na Oca e no MAM.
O Parque do Ibirapuera estava perdendo sua magia?
Foi, então, que conheci um garoto na escola e ele tornou-se um grande amigo. Tardes andando sem rumo pela Avenida Paulista se transformaram em rotina em nossos sábados. Não íamos ao cinema, não olhávamos lojas nos shoppings. Simplesmente nos encontrávamos na estação de metrô Brigadeiro e caminhávamos pela aquela imensa avenida que, com o passar das horas, ficava cada vez mais escura sem os raios de sol e, ao mesmo tempo, cada vez mais iluminada com as luzes coloridas dos prédios e carros. Ficávamos apenas a observar as pessoas circulando pelo asfalto. Tentávamos adivinhar aonde essas pessoas iriam: pegariam o metrô, iriam trabalhar, estavam passeando… Ou estavam sem um destino certo, como nós dois.
Um belo dia de manhã, para a minha surpresa, meu amigo decidiu mudar o roteiro: convidou-me para passar a tarde no Parque do Ibirapuera. Estranhei, afinal, havia anos que não frequentava tal parque. Estava um dia nublado, nem com um sol de derreter-nos e nem com nuvens pretas carregadas de água ao céu. Dia perfeito.
Fomos ao Parque do Ibirapuera e eu estava entediada. Não via luzes coloridas que prendiam minha atenção e não me deparava com pessoas circulando apressadas, como na Avenida Paulista. Então, meu amigo me empurrou, num ato para que eu esquecesse do tédio e curtisse minha tarde. Sem equilíbrio e percebendo que iria cair, puxei meu amigo junto. Caímos em meio a um bando de folhas secas. Naquele momento, como um flashback, recordei-me da pequena garota caindo da bicicleta… Me senti leve, como naquele dia, há tantos anos atrás e, quando dei por mim, senti que gargalhava, como uma criança. E, então, percebi que o Parque do Ibirapuera não havia perdido sua magia.
O Parque do Ibirapuera nunca perderia sua infinita magia.
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