A magia do Natal

Se existe algo que amo são as festas de final de ano. Talvez por isso fui um bebê prematuro que ao invés de nascer em meados de janeiro, resolveu fazer sua estréia em pleno 20 de dezembro e aproveitar toda a agitação das festas.

Gosto das musicas, das decorações dos shoppings, daquele agito "insuportável" que antecede o Natal. E com muito orgulho digo que jamais quero deixar morrer essa criança encantada com as luzes, símbolos e cores que existe dentro de mim.

Passei vários Natais em São Paulo. Natais de fartura e Natais difíceis. Alguns inesquecíveis.
Lembro-me que um dos mais marcantes foi quando eu tinha uns sete anos. Na manhã do dia 24, minha mãe saiu quietinha e voltou com um pacotinho retangular bem embrulhadinho. Aquele era o meu presente da Natal. Era um estojinho de lápis vermelho com uma bonequinha desenhada. Algo muito simples, mas hoje eu imagino o quanto ela deve ter se sacrificado para comprar aquele presentinho.

Eu era uma criança que valorizava as mínimas coisas e, para falar a verdade, adorei o presente. Quando a minha mãe viu a minha alegria ela desabou no choro. Imagino o quanto ela queria me dar uma Boneca da Estrela, uma bicicleta, um par de patins… Mas, confesso que aquele estojinho teve um valor muito especial naquele momento. O guardei por vários anos e com o tempo ele foi se tornando ainda mais especial pra mim.

À noite fomos ceiar na casa de um amigo do meu pai, que morava na Rua Abílio Soares. Durante o jantar a esposa dele soltou a seguinte pérola:
"Na noite de Natal sempre devemos ajudar os necessitados."
Lembro-me até hoje da carinha envergonhada dos meus pais. Aquilo me doeu demais.

Os outros Natais foram mais felizes. Mais fartos, mais generosos. Reuníamos-nos na casa de amigos. Cada ano a ceia era em uma casa. Uma "ceia leve", cada um levava alguma coisa. Minha mãe aprendeu a fazer um tender delicioso com minha madrinha. Ela fervia no vinho branco e depois passava na maionese e farinha de rosca e colocava no forno. Por último, jogava um copo de suco de uva. Ai, que cheiro era aquele! E que sabor!

Até hoje mantenho esse espírito. Acho que por mais que o mundo tenha mudado, nossos valores devem permanecer.

Tenho uma empresa de marketing promocional e dezembro é o mês que temos mais trabalho. Muitas vezes cheguei cansada em casa, mas preparei uma "ceia improvisada", abri meu espumante e brindei a vida, as conquistas, as evoluções, a prosperidade e a saúde!

Natais Paulistanos, inesquecíveis e mágicos como o meu estojinho vermelho.
E já que estamos na reta de chegada Feliz Natal à todos!

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