Pongaí, interior de São Paulo.
Pic-nic, nas barrancas do rio Tietê, com os amigos de nossos pais e familiares.
Ano de 1950, garotinhos ainda com alegria própria da idade, nos divertíamos como nunca.
Estávamos no Rancho do velho Gildo, italiano da velha cepa, sempre bem humorado e com vastos bigodes e cabelos brancos, irradiando simpatia, cujo sorriso ainda na memória guardo.
Domingo, final de Copa do Mundo, que para nós, meninos em tão tenra idade, nada significava.
Da alegria que os adultos irradiavam, ouvindo um velho rádio, ora o som sumia, ora aparecia, não me recordo bem, só sei que gritaram…
Goool do Brasil… somos campeões…
De repente, todos quietos… Gol do Uruguai… mais um pouco outro… Gol do Uruguai… um silêncio sepulcral que nós não compreendíamos bem o porquê… fim de pic-nic… tristeza…
Retorno, na carroceria do caminhão, começaram a cantar, para todos animar:
"Apaga a Lamparina,
acende o Lampião
que o Uruguai é
o Campeão"
Pouco tempo depois para São Paulo mudamos. Mais precisamente para o Brooklin Paulista, na Rua Manuel de Nóbrega, onde nossos pais adquiriram um comércio e a cujo estabelecimento deram o nome de "Empório Pongaí", em homenagem à nossa terra natal.
Novas amizades e a canção que nos marcou sempre a cantarolávamos, e os pequenos amigos não compreendiam e indagavam: o que são: Lamparina? Lampião?
Aqui, por serem da "cidade", eles não sabiam, pois não usavam como no interior. Era nessas horas que nos sentíamos reconfortados e mais felizes, pois sabíamos de coisas que eles desconheciam…
O tempo passou, Copa de 58, já adolescentes, presenciamos o Brasil ser Campeão do Mundo…
A Lamparina ficou para trás e o Lampião também, perdidos na poeira do tempo…
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