Ontem pela manhã fui resolver um problema lá na Rua Silva Bueno, ao passar em frente a uma loja que vende CDs, ouvi o som vibrante de uma música espanhola, de pronto minha memória transportou-me até a década de 40, lembrei-me da família Vidal, da Dona Anita, seus filhos João, Getúlio e Araken (este último falecido prematuramente em um acidente doméstico ocorrido em um domingo), do Senhor Diogo, proprietário de algumas casas na Rua Lucas Obes (nós moramos em uma delas), não era um senhorio, era um amigo dos inquilinos, do Afonso barbeiro cujo estabelecimento ficava na Rua Lino Coutinho com a Rua Lucas Obes, aos sábados o local era muito bem frequentado e lá ficávamos sabendo de tudo o que se passava nas redondezas, na casa onde morei um bom tempo lá na Rua Agostinho Gomes nº 2197 (a casa ainda existe); tinha uma família de espanhóis (família Fernandez), pessoas boníssimas das quais jamais esquecerei, o Melchior cantava uma canção espanhola que dizia:
“Bien pagá
Me llaman la bien pagá
Porque mis besos cobré
Y a ti me supe entregar
Por un punão de parné
Bien pagá, bien pagá
Bien pagá fuiste mujer…”
Na Almirante Lobo, morava o Snr. Augusto, casado com Dona Maria Fernandes, o Fausto, meu grande amigo (já falecido) casou com a Miriam que era filha de espanhóis, nas festas ela cantava e dançava tocando castanholas, a música mais pedida dizia:
“Tus ojos son ojos que non son luceros
Tus lábios son lábios que non son claveles
Tú no eres flamenca ni tiene salero
Que vamos hacerle si eres como eres,
Te llamas Rodriguez por parte de padre
Te llamas Fernandez por parte de madre
Tu nombre es Maria, Maria Del Carmen,
Maria Del Carmen Rodriguez Fernandez… Olé!”
Alguém no meio da festa entrava com outra música da qual jamais vou me esquecer, era assim:
“Ay, Sandunga
Sandunga tu amor yo quiero
Si no me lo das, Sandunga
Sandunga de amor yo muero.”
Fica aqui, pois, a minha modesta homenagem a uma pequena parte da comunidade espanhola que eu tive a felicidade de conhecer e até conviver aqui no meu querido bairro do Ipiranga, como já dizia o falecido locutor Fiori Giglioti: ficarão todos incrustados no “meu cantinho de saudade”.
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