A criatura mais linda que meus olhos já viram

Era a última noite de 1994. Passagem de 94 para 95. Eu, completamente e doentiamente apaixonado pela namorada que estava longe porque havíamos brigado dias antes…no natal. Era uma relação quente, profunda onde os sentimentos fluíam dos dois lados. O que fazer naquela noite sem ela? …pensei comigo. Então, para minimizar a ausência dela, eu, pouco antes da meia-noite, pouco antes do ano virar, sentei-me em um banco que havia sob o edifício no qual ela morava no centro de São Paulo… Ali, sozinho pensando nela e longe do barulho que me incomodava no ambiente festivo de minha casa. Era impossível eu ficar livre, descontraído sem estar ao lado dela. Então, me isolei e passei 94/95 ali, prostrado no banco sob o edifício dela.

Dia seguinte, por volta de meio-dia, minha mãe me acordou em minha casa dizendo que tinha um telefonema para eu atender. Aí, atendi o fone, era ela e nós reatamos o namoro, mais o que ficou mais marcado foi meu gesto de quem é doente de amor por uma mulher. Minha volta com ela não me marcou tanto quanto meu gesto de ficar ali sozinho sentado no banco até metade da madrugada. Perdão senhores, mais o que amei aquela mulher só Deus sabe… Hoje, ela está no céu, eis que depois daquela noite inesquecível, nós namoramos até 1998, quando então, de vez, nos separarmos, sendo que eu vim a saber do féretro dela em 2000, por motivos cancerígenos. Rezo todos os dias pelo espírito dela para que esteja feliz onde estiver… Ela me fez muito feliz e ver que na vida acontecem sim muitas coisas boas.

E-mail: [email protected]