Quando o mundo foi entregue por Deus ao homem, a terra era um jardim no paraíso. Hoje, porém, a cidade de São Paulo, nestes dias de inverno de agosto de 2012, o paraíso criado por Deus parece uma insurreição, uma sublevação, uma revolta da natureza com a falta de chuvas provocadas pelo efeito “El Niño”.
O alto índice de calor fora de época, a poluição do ar pela introdução do homem, direta ou indiretamente, de substâncias de produtos estranhos e tóxicos ao meio ambiente instigando uma subversão do clima e excitando um efeito negativo do equilíbrio atmosférico, pela secura do ar combinante com a sensação de sufocamento possuindo quase que a inabilidade de atrair o ar para os pulmões e enseja uma insuficiência de oxigenação por causa do baixo teor de umidade atmosférica produzida pelos poluentes dispersos em minúsculas partículas, em pêndulo, trazidas pelo vento e fundem-se conjuntamente com outras matérias e interfere na qualidade de vida dos cidadãos paulistanos.
A poluição atmosférica refere-se ao impacto produzido pela queima exagerada de combustíveis fósseis extraídos do petróleo provocando um desequilíbrio ambiental suscetível de causar impacto a nível ambiental e de causar danos a saúde humana através da contaminação do ar. A camada de ozônio é encontrada na estratosfera, região da atmosfera. Esta camada tem a propriedade de absorver a radiação ultravioleta do Sol; por este motivo, sem a proteção do ozônio, as radiações causam graves danos aos organismos vivos que habitam a superfície do planeta Terra.
A camada de ozônio está sendo gradativamente destruída pelo homem. A capital de São Paulo tem sido bastante castigada pelo aumento de penetração dos raios ultravioleta, causando incidência elevada de câncer de pele na população. Ele está presente em pequenas concentrações naturalmente na estratosfera (parte de atmosfera que abrange aproximadamente dos 15 até 50 quilômetros de altura).
Uma notável característica deste gás é sua capacidade de absorver luz ultravioleta solar na faixa de 220-320nm, o que o torna um escudo natural da Terra (camada de ozônio), para os seres humanos e a outras formas de vida, para o qual esses raios são nocivos. Curiosamente, apesar de protetor, o ozônio presente na troposfera é um perigoso poluente que além de provocar problemas respiratórios e o “smog” (nevoeiro fotoquímico), também degrada tecidos e danifica plantas, o que contrasta com o papel protetor que geralmente é atribuído ao ozônio estratosférico.
O ozônio é um poluente secundário, tendo como reagentes principais para sua formação o óxido nítrico e compostos orgânicos voláteis. A poluição do ar da cidade de São Paulo, além das agressões aos pulmões, a percepção de desconforto, a impressão recebida pelo sistema nervoso central e pelos órgãos através dos sentidos, principalmente do olfato (nariz), pela agressão da mucosa nasal acompanhada de secreções e da obstrução das fossas nasais e uma coriza incomodativa, enjoada, que trás a sensação de sufoco; na visão também há uma irritação das membranas mucosas que forram a parte do globo ocular e dá a impressão de terra irritativa e os olhos lacrimejam o tempo todo.
Esses são os principais sintomas que mais se sentem das agressões do meio ambiente poluído. O nosso meio está agonizando pela degradação produzida através de resíduos químicos e orgânicos, fontes de poluição do ar, associado ao efeito estufa e a uma possível queda de uma chuva ácida, uma das principais consequências da poluição do ar; podemos assim dizer que a desflorestação normalmente resulta em uma erosão dos solos que provoca a desertificação de extensas áreas de florestas tropicais.
Outra consequência grave e danosa ao meio ambiente é a poluição das águas dos rios e dos mares. Há também um lamentável estrago no nosso principal rio, o mais importante de São Paulo: o Tietê, que se parece com um dos mais poluído do mundo. A busca desenfreada pelo dinheiro, a ganância libertina do indivíduo, o lucro fácil dos agentes financeiros, a inconsequência de adquirir bens materiais, o consumo exagerado de artigos inúteis, a busca de empreendimentos que promovem a produtividade do país fazem com que o homem busque na lucratividade os seus anseios de vida, esquecendo que tudo isso pode lhe custar, no futuro próximo, muito caro. O dinheiro fica aí, rolando sobre a terra. Nada será usufruído. A natureza não se defende, ela simplesmente se vinga.
Hoje, no negro asfalto da cidade, o sol continua brilhando implacavelmente. Nenhum sinal de chuva se esboça no céu azul. Nenhuma nuvem no céu brilhante prenuncia a queda da chuva que ao menos pudesse atenuar e dispersar os funestos poluentes que nos sufocam a garganta. Hoje, tive um sangramento no nariz e uma sensação desconfortável de sufocamento e uma constante indisposição para o trabalho.
Lembro-me com saudades dos tempos idos, quando esta cidade respirava o ar puro das matas, quando todas as manhãs havia a ressurreição da natureza. As chuvas eram no tempo certo. Quando elas caiam logo realizavam sua tarefa de aguar as plantas; os ventos percorriam a nossa cidade e os ramos verdejantes dos arbustos brilhavam ao reflexo do sol matinal trazendo um conforto para nossa alma, pela beleza dos campos floridos. Os dias eram incomparáveis. A ânsia de desfrutá-los impelia-me de tal maneira que, frequentemente, me abastecia de alguma provisão para passar um dia inteiro e partia em excursão até os mais altos píncaros da cidade onde a terra cheirava a erva; costumava caminhar com meu fiel companheiro e amarrar junto a mim o Tição, companheiro inseparável de jornada, e sentava-me em algum declive do Jaraguá e ficava contemplando lá de cima a cidade de São Paulo, clara, límpida, livre de qualquer traço de poluição no ar ou da terra.
Nesses instantes, vinham-me a mente como exemplo os regatos despoluídos, que desciam em cascata pelos seixos do cerrado que cantavam suas águas límpidas e cristalinas no alcantilado da rocha. Vez ou outra o súbito fragor das nuvens escuras criavam o ruído do estalar de um trovão que trepidava na natureza e a chuva caia copiosa lavando o ar.
Tempos bons aqueles! Assim decorriam os meses. Entrava a primavera e a cada hora surpreendia-me as transformações da estação como se as árvores, os animais, os insetos e as pedras se preparassem para receber festivamente a nova atração; depois novamente o verão com suas chuvas tradicionais embebendo as raízes da terra; depois o outono amarelo, o outono na terra trazendo as folhas secas em um solo de tapeçaria; eis que surge novamente o inverno, quando a cidade se revestia da garoa que tradicionalmente caia sobre São Paulo.
Eram noites de poesia. Bares repletos, aumentando a vontade de tomar uma caneca de chocolate ou um caldo quente no Sopão da Avenida São João. Era um prazer puríssimo ver para os lados do Sumaré, os pássaros escalarem os mais altos ramos das árvores para de lá saudarem o sol, com alegres trinados. Dir-se-ia o renascer do mundo. Hoje, não vemos mais nenhum pássaro nas poucas árvores da cidade. A poluição do ar, o desencontro das estações, as modificações na temperatura onde em pleno inverno temos temperaturas acima dos trinta graus; o ar é irrespirável, as águas estão envenenadas por partículas sólidas de derivados de petróleo, os rios e os lagos sujos e poluídos; as árvores sofrendo com gases emitidos por milhões de veículos que circulam ao redor da cidade.
A queima também do carvão mineral que despeja na atmosfera da cidade milhares de toneladas de micro-poluentes por centímetro cúbico. O excesso de gás carbônico, um dos maiores poluidores da atmosfera, é o que produz o efeito estufa. Fica aqui uma pergunta: será que vale a pena destruir o meio ambiente para construir um estado durável de plenitude pessoal, uma satisfação momentânea de felicidade a custa da destruição da própria casa onde moramos? Será essa uma condição racional? O ponderável irracional é mais lógico, porque os animais dessa estirpe vivem de acordo com as leis da natureza, enquanto os que se dizem racionais são contra essas mesmas regras. Só que existe uma ameaça: será o termino de uma geração do último milênio. Pensem bem, pois a destruição da casa em que vivemos nunca mais será reconstruída.
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