A cidade da Esperança

Peço a vocês perdão pelo fato de me expor assim com certa audácia e me meter em assuntos tão complicados como estes, escrevendo histórias do nosso cotidiano para este site. Explico que é devido ao prazer de escrever que me ponho esforçadamente a me lembrar de fatos ocorridos nestes três anos que morei aí em São Paulo. Foi uma adaptação difícil para mim, pois eu era apenas um garoto, jovem e aventureiro. Mas desde pequeno me meti com coragem enfrentando as barras escuras, duras mesmo. Sempre procurei esforçar-me e destacar-me, fosse no fosse. Por exemplo: eu tinha uma caligrafia razoável, a escrita, a letra. Fiz meu curso completo de datilografia; aprendi bater máquina batendo com os 10 dedos e com uma folha de papelão cobrindo as teclas da máquina. Quando fui aluno do primário, a minha professora me mandava copiar um jornalzinho feito a mão e eu era o designado para copiá-lo. Era o "redator" do jornalzinho da escola. Meus pais se esforçavam para nos dar os estudos, mas tinha problemas de falta de coordenação motora e era fraco na concentração, era avoado, disperso sempre viajando…Morávamos na rota da escola e minha mãe, que graças a Deus ainda é viva, com seus 86 anos de idade, perguntava para a professora como eu estava indo nos estudos. A professora dizia que era difícil concentrar-me, por isso perdia as explicações necessárias e minhas notas eram baixas, então conseguidas com muito estudo e esforço. Ninguém precisava me mandar estudar. Tomava logo a iniciativa, pois não queria decepcionar minha mãe, que se chama Antonieta. Quando percebi que meus colegas foram estudar em grandes centros, depois de fazer o ginásio, fiquei para trás. Não podia de forma alguma esperar que as coisas mudassem, não havia perspectiva alguma. Então literalmente fugi de casa. Vim para São Paulo para estudar. Eu tinha também uma certa habilidade para o desenho e achava que com isso eu iria me sobressair. Mas não era tão bom assim para fazer contatos nesta área, então fazia meus contatos na eminência de ajudar em alguma coisa, era o tipo auxiliar. Auxiliar de serviços gerais, Auxiliar de Escritório, auxiliar de contabilidade, auxiliar disso e daquilo, mas comecei mesmo como office-boy e meu serviço inicial foi o de cuidar da limpeza da sala de um despachante, emprego conseguido através de um saudoso amigo que me indicou ao Sr. Bittencourt para a vaga. A minha ida para São Paulo, foi tomada quase em desespero. Em minha cidade não havia grandes oportunidades, o máximo que se conseguia era trabalhar em lojas de varejo, sapatarias, nada contra a função e foi dessa forma que pude encontrar algum dinheirinho e sumir de vez daquela situação. Já pensaram o que é pedir emprego, atraído pelos anúncios de jornais? Pois como eu queria meu próprio espaço fui a luta. Tinha que fazer os testes de conhecimento geral (básico). Depois o psicotécnico. Parece que esses testes eram para saber se a gente prestava ou não. Já imaginaram? Em sou egresso de família pobre, não tenho vergonha de dizer; minha família é de descendentes de imigrantes italianos, meus avós eram filhos de italianos e meus pais tinham que lutar muito para sobreviver e não tinham recursos extras para pagar o ensino superior, que eram oferecidos apenas nos grandes centros. Não somente o estudo, mas e a estadia? Hoje em dia se disseminou o ensino, a educação, graças a Deus.
Ouvi ontem dia 03-07 no programa A Voz do Brasil, uma tentativa do estado do Amapá de ter sua própria faculdade de Medicina, porque o estado tem carência de médicos e acham justo terem sua própria faculdade. Sou de acordo. E comigo posso dizer que o "destino" foi bom para mim, me reservando boas oportunidades de emprego, graças a um pouco de coragem que tinha, não sei de onde eu a encontrava, mas tinha muita coragem, tanto é que fui para São Paulo. Mas confesso a vocês que passei por muitas dificuldades. Vocês não fazem idéia de como são essas coisas. Por isso sinto que sou o cara mais feliz do mundo e muito comum também. Me contento com qualquer coisa, é a pura verdade. Então aqui no site me intrometo a contar histórias, aliás, todos vocês são surpreendentes, camaradas demais, porque aceitam que os pobres mortais de fora nos coloquemos em situação de igualdade. Minha primeira história publicada foi com o título "Cidadãos paulistas de primeira categoria" em agradecimento por tudo o que me fizeram e foi publicada para minha surpresa em abril deste ano. Vejam então vocês, e sendo nós de fora da cidade e do contexto dela, mesmo assim vocês nos permitem a participação e ainda se colocam, todos parecem, a disposição nossa pelo fato de que nós também queremos e gostamos de contar nossas historias. É raro acontecer semelhante situação. Pensem vocês em quais estados brasileiros teríamos esta oportunidade que vocês aí de São Paulo, e da secretaria de turismo nos dão e oferecem. Quais centros do país permitiriam situação semelhante?
Por essa razão quero dizer para vocês, que são uma verdadeira benção do céu, e por me abrir a esta comunicação a todos vocês é que chamo minha historia de hoje, de A Cidade da Esperança. Beijos e Abraços.

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