No parque Villa-Lobos,
nós íamos soltar as pipas no
fim de semana.
Para mim verdadeiro paraíso.
Sempre que mudavam
as administrações, mudavam
os horários e costumes do
fechamento do parque,
dependendo da veneta
dos zeladores.
Em uma ocasião,
fecharam o estacionamento
às seis horas.
Fecharam o grande
portão de tela
com corrente e cadeado,
deixando quase
uma meia dúzia
de carros presos,
inclusive o meu.
E cadê o guarda?
Passam quinze minutos e nada.
No porta-malas
do Alfa Romeo 76
tinha uma tesoura grande
para cortar barras de ferro.
Corto a corrente facilmente.
Ponho o cadeado no chão
junto ao pilar,
para que seja aproveitado.
Sinto muito pelo elo perdido.
Até parece que estamos
no planeta dos macacos.
Mas parece mesmo
uma macacada.
Por que nos prender
em recinto público?
Se for um bem publico
é nosso, e se é nosso
temos direito de permanecer.
Mas não foi exatamente isso
o que o administrador
do parque pensou,
nas cinco ou seis vezes
que eu tive de cortar
aquelas correntes.
A turma sempre tirava uma:
– “Pedro, trouxe a chave do parque?”
– “Lógico que trouxe!”
Afinal ele não é Pedro!
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