A César o que é de César

Há poucos dias, um colega nosso escreveu um texto chamado "Companhia de Onibus ABC", talvez eu estivesse num péssimo dia, o que não é normal, visto que sou muito bem humorado, mas eu escrevi um comentário carregando nas críticas, onde eu dizia que o texto era chulo, escrito num português claudicante e que ele usara e abusara das palavras de baixo calão.
Para sorte minha, outro colega nosso que lera o texto o elogiou chamando-o de "Rodrigueano e Pliniano" em homenagem aos dois grandes dramaturgos.
Face a isso reli o texto, busquei livros que tenho do Nelson Rodrigues, inclusive textos que ele assinava Susana Flag, repensei a obra do Plínio Marcos, Dois Perdidos numa noite suja, Quando as máquinas Param e até Navalha na Carne, não fiquei convencido, mas ao mesmo tempo percebia o estilo de outro autor porno-erótico, só não lembrava quem era. Aí apelei, Henri Miller. Reli a sua obra mais pesada "Opus Pistorum" que ele escrevera quando morava em Paris e abusava da farra e da bebida, a tal ponto que seu editor não mais lhe dava adiantamentos, pois ele "torrava a grana" e não produzia coisa alguma, aí seu editor lhe propôs o seguinte:
– Cada página que você trouxer eu lhe pago US$1,00.
Miller juntava duas ou três folhas e ia buscar os 2 ou 3 dólares e assim sobrevivia na sua vida dissoluta. Na hora do título ele mostrou toda a sua genialidade, vejam só: Miller em inglês quer dizer "Oleiro"; o oleiro faz um trabalho semelhante ao que ele fez fabricando tijolo por tijolo; ele colocou o nome de "Opus Pistorum" que em latim quer dizer "Obra de Oleiro", ou seja ele juntou tudo e criou um dos melhores trocadilhos que conheço. Mas não, não era Henri Miller.
Já estava disposto a procurar um médico, pois na minha idade quando a memória falha já achamos que o alemão, o Alzeheimer, está chegando.
Repentinamente, surge a resposta clara e cristalina: A citada crônica é "Zefiriana", em homenagem a Carlos Zéfiro.
Quem foi Carlos Zéfiro? Foi o escritor que inventou a Pornoliteratura
de Cordel. Seus livretos continham texto e desenhos e eram apresentados da mesma maneira que os Livros de Cordel, que os pré-adolescentes e adolescentes da minha época, safadamente chamavam de "catecismos", aposto que muitos homens já se recordaram de quem estou falando. Quem não se lembra de seus "best sellers": Amigos…Amigos, Amor a três, Ângela, a professora, Aventuras de João Cavalo e uma infinidade de outros títulos. Façamos pois justiça àquele cuja literatura, na nossa pré-adolescência e adolescência, nos acompanhava nos momentos de prática do amor solitário. Devemos dar a Zéfiro o que é de Zéfiro. O citado texto não é Rodrigueano ou Plineano, mas sem dúvida alguma é Z E F E R I A N O!!!!!

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