Neste relato vou falar de coisas que sempre adorei desde que me entendo por gente, música, discos e uma pessoa que classifico como uma dentre as muitas glórias anônimas que viveram, vivem e constroem a nossa história cotidiana!
Sempre fui e serei um "rato" de discotecas, fuçando e caçando ofertas, e lá pelos idos de 1978, 1979 e início dos anos 80 ia sempre à Avenida Cásper Líbero em uma grande loja de discos que vendia LPs e compactos de vinil a preço de banana, um grande saldão, onde se podia encontrar de Agostinho dos Santos a Tim Maia, de Nina Simone a Eletric Light Orchestra e Larry Santos (quem?)… Bem, a verdade é que comprar discos ali era divertido e meio lotérico, uma aposta nas capas dos LPs, que valorizavam o produto e que as vezes rendiam surpresas agradáveis como o tal Larry Santos (!), ou… Grandes decepções!
Ali se destacava um senhor sempre muito sério e compenetrado que gerenciava a loja… Eu nunca havia falado com ele até ler uma reportagem na "Folha de São Paulo" que falava a seu respeito, seu nome era Sílvio e ele havia, dizia a reportagem, sido gerente de muitas lojas de música e discos em São Paulo desde os idos e gloriosos tempos das 78 RPM, meio que se misturando à história desse comércio cultural aqui em Sampa! Ao conversarmos, tive o prazer de conhecer uma pessoa agradável e culta com um imenso conhecimento do mundo musical e que realmente amava o seu trabalho, foram longos papos sobre música e depois disso ele sempre me indicava as coisas boas que chegavam na loja e eu já não precisava mais analisar as capas dos LPs para conseguir as melhores coisas, as suas dicas eram certeiras!
Um dia, depois de algum tempo sem ir à loja, ao retornar, notei a sua ausência, ao perguntar por ele a uma das moças que ali trabalhavam fiquei sabendo que ele havia deixado de trabalhar na loja e que havia falecido algum tempo depois, ficando dele para mim a sua lembrança e para o mundo uma reportagem na "Folha" que não foi e nem seria suficiente para tirá-lo do anonimato comum à maioria de todos nós.
Fica aqui nessas linhas mais uma homenagem a essas pessoas como o senhor Sílvio da loja de discos da Cásper Líbero, que anonimamente escrevem a história dessa nossa Metrópole, e que ela como toda cidade exponencial e cosmopolita que se preza, acaba por esconder. Às glórias anônimas que muito contribuíram e contribuem para o crescimento da riqueza cultural e econômica dessa nossa amada Sampa!
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