A Bolívia em São Paulo?

Gosto de passear pela nossa Sampa nas tardes de domingo, e outro dia fui visitar o Museu da CMTC, na Cruzeiro do Sul. Quem ainda não foi até lá está perdendo, no mínimo, a sensação de derramar algumas lágrimas saudosas ao rever os bondes abertos, camarões, bonde de tração animal, e os primeiros trolebus. Tem até um Gilda, todo conservado, que dá até vontade de ver nos trilhos da Avenida Angélica.

Mas, saindo de lá, fui até o local onde estacionei o meu carro, e notei um movimento constante de pessoas se dirigindo para um único local. Eram pessoas com traços fisionômicos bastante parecidos, e é claro, concluí serem bolivianos. Segui aquela verdadeira procissão até chegar a uma feira muito típica, com muitas barracas, vendendo artigos daquele país irmão, e pude apreciar algumas das iguarias normalmente consumidas na região.

Circulando pela feira, ouvi muita música regional e em uma barraca encontrei um artigo bastante querido por mim: favas secas. Sim, Cari Paesani, aquelas mesmas favas que usamos para fazer um delicioso Fave e Foglie (o fevefecchie de polignano).

Há pouco tempo descobri um ingrediente típico da Bolívia e passamos a usar constantemente em nossas refeições: trata-se da Quinoa, delícia que substitui, com enormes vantagens, o arroz.

É interessante esta nossa Sampa, que abriga um mundo inteiro de pessoas que, aqui, encontram um lugarzinho para recriar seus costumes, suas paisagens e manter vivos a língua, a música e os pratos.

Adorei ver e participar, por alguns momentos, daquele festim de nossos hermanos. Por isso, recomendo que vá num domingo à tarde até o início da Avenida Cruzeiro do Sul, visite o Museu da CMTC e, dobrando a esquina, sinta-se como em uma viagem ao país vizinho.

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