Na década de 50 quem possuía rádio tinha muito, pois era um dos poucos meios de comunicação, e por sorte na minha casa nós nos distraíamos com um. Então eu sintonizava as estações a procura de músicas da época, principalmente na rádio São Paulo, que ficava na Avenida Angélica, a espera de ouvir a doce valsa Danúbio Azul, que fazia vibrar meu coração.
Assim que a ouvia, punha-me a bailar na sala da casa de minha saudosa mãezinha, como se fosse uma bailarina de clássico, me imaginava de sapatilhas, cabelos presos em coque, com laço de fita cor de rosa, e vestido esvoaçante.
Sonhava isso porque certa vez fui ao Teatro Municipal de São Paulo, localizado na Praça Ramos de Azevedo, um marco da nossa querida cidade e dentro dele me deslumbrei ao ver suas escadarias, seus lustres, suas riquezas, que devem ser assim ainda hoje ou melhores, e não tive mais a oportunidade de frequentá-lo.
Aquele evento me marcou profundamente, pois se apresentou naquele dia, certa bailarina como eu me imaginava, e como não era possível realizar esse desejo por questões obvias, a vida se encarregou de trazê-lo até mim, através de minha linda neta Giovana, já mocinha e que se esmera nessa profissão maravilhosa, que é ser bailarina clássica.
Quando a vejo no palco, embalada por músicas envolventes e a movimentar-se delicadamente, chego ás lágrimas de tanta emoção. Participo desses eventos da vida dela com grande felicidade, pois com ela tive o prazer de ver meu sonho realizado, mesmo por intermédio de outrem a quem eu amo tanto.
Por essa oportunidade de participar deste site maravilhoso, contando mais uma parte de minha vida, obrigada a equipe e a todos os leitores.
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