A artesã

Como já contei aqui, minha avó materna era excelente costureira; era ela quem fazia as minhas roupas, de minha mãe e minha irmã. Ela só não tinha corte para confecções masculinas. Além das roupas ela também fazia chinelos de pano, com sobras de peças que hoje se pode chamar de artesanato. Os materiais são os seguintes:

1) caixa de sabão em pó (vazia, claro!);
2) retalhos de napa ou courvim (daqueles utilizados para fazer sofá);
3) algodão ou pluma de ganso (que ela conseguia numa confecção);
4) retalhos de tecidos que sobravam das costuras.

Como em casa já havia diferentes números de calçado, ela utilizava estas medidas para tirar as outras. Cortava o papelão da caixa de sabão em pó no formato, cobria com o algodão. No mesmo formato cortava a sola feita do courvim e já vinha costurando o algodão e a sola. Ficava um sanduíche: sola, papelão, algodão. O tecido sempre combinava com a cor da sola. Ela colocava a parte da palmilha (tecido liso da mesma cor da sola), arrematava a borda como um debrum (da mesma cor). Estava feita a parte de baixo.

A parte de cima era em tecido colorido, mas na base do tom sobre tom. Era só costurar na altura dos dedos e estava pronto o chinelo.

Assim ela fazia para a família toda e dava de presente para amigas e vizinhas usarem dentro de casa. Acredito que este tipo de trabalho poderia trazer renda para algumas pessoas. O que se precisa ter é a máquina de costura normal. Tudo é feito de sobra e retalhos que você pode pegar nestes lugares que reformam estofados. Era assim que minha avó fazia.

Aliás, no caminho da feira, que ela fazia com que eu fosse com ela, tinha um tapeceiro que dava os retalhos para ela… de várias cores.

Hoje, no lugar do algodão, pode-se utilizar a espuma… sempre tem um pedaço que o tapeceiro não vai usar. Minha avó é o ícone de nossa família…

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