A ariranha no Zoológico de São Paulo

Este episódio ocorreu comigo no início dos anos 80 em São Paulo. Estávamos em férias e fui passear com minha mãe. Senti muita vontade de rever o Zoológico, então nos reunimos com primos e amigos para visitá-lo. Decidimos passar toda a tarde ali e saímos após o almoço. A chegada foi uma festa diante do verde exuberante e da grande quantidade de animais que avistávamos. Pássaros variados, tigres, leões, cobras, macacos, elefantes, até que avistei uma toca, que continha uma pequena tela bem fixada.

Lá embaixo, me deparei com um animal diferente, tratava-se de uma ariranha. Para observá-la melhor debrucei-me um pouco diante da toca e chamei uns primos, dizendo:

– Venham ver que interessante, parece um pouco com uma foca.

Mal pude terminar o que falava, pois a pequena, franzina e ágil ariranha subira com uma fúria louca quase arrancando a tela que a protegia e permitia que a observássemos no fundo da toca. Quase desmaiei de susto, mal conseguia ficar em pé e acabei sentando para tomar água e me acalmar.

Um dos responsáveis do zôo explicou o temperamento estranho do bichinho, que me pareceu tão dócil. Anos depois, soube por um jornal na TV, que uma ariranha arrancou o braço de um sargento do exército que salvou a vida de uma criança em um parque em Brasília. Só naquele exato instante vi o perigo que corri com os demais acompanhantes naquela visita ao zoológico. Este ano voltei ao Zoológico de São Paulo, já muito diferente daquele que havia visitado. Ao caminhar pelas várias alas, de carrinho ou a pé, logo indaguei:

– E a ariranha onde está?

Recebi a explicação de que já há muitos anos não havia nenhuma no local por sua periculosidade. Então, sorri aliviada e exclamei:

– Que bom!

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