Brás, minha vida

Nasci no bairro do Brás, quando as vizinhas punham as cadeiras na porta da rua para conversar, quando se levava tombos magníficos caindo dos trilhos do bonde Rubino de Oliveira; quando se jogava bola na rua Manoel Vitorino na “tecelagem”; quando se malhava o Judas feito com roupas velhas dos tios e vovós. Colecionávamos as figurinhas das balas futebol, fazíamos fogueiras nas ruas para comemorar S.João e S. Pedro; ficávamos extasiados com as vitrines das Casas Pirani no natal, saboreávamos um pedaço de pizza no balcão, como se fosse a mais fina iguaria. Nossa grande preocupação era passar de ano na escola; mal sabíamos das verdadeiras preocupações que viriam com o tempo. Que saudades dos cinemas Brás, politeama, roxy, universo, piratininga, savoy, rialto. Dos seriados do zorro, do fantasma, roy rogers, etc. etc., dos meus amigos da rua Ricardo Gonçalves, enfim, meus caros paulistanos – que saudades da minha infância e juventude no bairro do Brás. Quem nasceu ou viveu lá, não consegue esquecê-lo jamais. Moro no Morumbi e levo mais de uma hora para chegar ao trabalho no Brás, ao rever meus amigos, minhas ruas, fico feliz e o sacrifício compensa. Como diz a minha esposa: o meu carro vai sozinho para o Brás.

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