Úmido gosto de terra, cheiro de pedra lavada…
Saudades de meus avós, do casarão, da sua cozinha com fogão a lenha. Minha avó Ana, Sinhá Aninha como a chamavam carinhosamente na família, fazia o melhor chá de limão que já tomei em toda minha vida. Ele era servido acompanhado de leite quente e café coado no coador de pano. Sobre a mesa minha avó enrolava biscoitos de polvilho, que eram fritos.
Eram os dias mais felizes de minha vida… Todos estavam presentes: eu, minhas irmãs, nossos pais (Lucilo e Maria), minha irmã Ile e Tânia.
Tempo inseguro do tempo!
Quando me lembro, me emociono e choro.
Nua e fria, sem mais nada.
Brilho de areias pisadas era o quintal (ou terreiro) de meus avós, onde toda manhã, ela jogava milhos às galinhas e pintinhos que vinham de todos os lados, ela sempre entoava o pipi…
Recordo-me de meu avô Floripes. Acordava na madrugada para tirar o leite das vacas! Eu, minhas irmãs e primas nos divertíamos muito tomando o leite ainda quente que meu avô tirava na hora pra nós!
Meu avô era muito sério e pouca conversa.
A minha avó era carinhosa, me lembro dela fazendo queijos, e nos deixava sempre acreditar que estávamos ajudando-a.
Saíamos para recolher os ovos das galinhas, ninhos que ficavam nos galhos das árvores.
Com cheiro de folhas mordidas, cheiro das árvores frutíferas ou talvez dos eucaliptos que balançavam vistos de longe.
De onde gritávamos para ouvirmos o eco de nossas vozes.
Suspiro coisas acontecidas, lá longe na minha infância!
A noite abria a frescura…
Dos campos todos molhados, bastava um comentário sobre o ruído dos animais que ficavam no pasto, para que minha avó começasse uma estória sobre o Saci-Pererê. Suas estórias embalavam a noite. Do fundo da escuridão recebíamos cafunés entre nossos cabelos e o sono chegava.
Vózinha quanta saudades de um tempo que existe. Que ficou vivo e presente em mim. Entre sonhos e nuvens… Não haverá mais nossa vida, talvez nem o pó que fomos.
E a memória de tudo desmanchará quando me for!