Fecho os olhos e as minhas lembranças sobre Pinheiros vão chegando. Podem não vir numa sequência cronológica, mas são memórias e assim devem ser registradas para cumprimento de uma decisão que tomei de contá-las.
Olha lá, com meus 14 anos. Era o ano de 1954, eu morava no casarão da Rua Augusta, 291 e tinha como meu grande e dileto amigo o Zilando, que também tinha morado na Rua Augusta e que estava residindo, então, na Rua Marques de Paranaguá, quase esquina da Rua da Consolação, onde seus pais mantinham uma pensão.
O velho Freitas, pai de Zilando, era proprietário de uma chácara no Rio Pequeno, com uma deliciosa piscina e nós costumávamos ir passar fins de semana por lá, era muito legal. Lembro que para chegar em Rio Pequeno era quase uma viagem, tomávamos o Bonde Pinheiros na Rua da Consolação e íamos até o Largo de Pinheiros.
Descendo do bonde, andávamos até a Rua Butantã, onde ficava o ponto terminal do ônibus Rio Pequeno. O trajeto até Rio Pequeno era por mais uma hora e, depois, tínhamos que caminhar um bom pedaço até a chácara.
Lembro, ainda, que em um desses fins de semana, não tive como ir junto com toda a turma. Não lembro o motivo que me impediu, mas lembro que fiquei bastante triste por estar privado desse passeio.
Porém, como nem tudo é tristeza na vida de um jovem que, na época, deveria estar beirando seus 15 anos, consegui me desvencilhar dos impeditivos no sábado e, pegando uma maleta de roupas, fui em busca das brincadeiras junto com o Zilando, o Juca Batista e o Sérgio.
Embarquei no bonde, desci no Largo de Pinheiros e antes de embarcar no ônibus resolvi comprar algo “quente” para aquecer nossos dias na chácara. Parei em um bar da Rua Butantã, comprei um litro da deliciosa “Caninha d’Ó”.
Cheguei na chácara quase na hora da janta, depois das efusivas recepções mostrei o beberico e decidimos tomar um trago. Eu estava tão cansado que depois de alguns goles, não aguentei e dormi sobre o prato de comida.
Foi uma grande aventura esta passagem que acabei de registrar.
Estou gostando da brincadeira. Aguardem outras estórias virão.